A convidada da semana do programa ‘Vozes da Vez’, que vai ao ar todo sábado, às 8h, na rede Novabrasil, vem construindo uma trajetória marcada pelos encontros, pela curiosidade e por uma relação muito particular com a palavra. Anna Ratto é cantora, compositora e, em 2026, celebra 20 anos de carreira. Duas décadas depois de começar profissionalmente na música, ela chega a esse aniversário fazendo um movimento interessante: olha para o caminho que construiu até aqui, mas continua procurando novos lugares para a sua voz.
Nos últimos anos, um desses caminhos levou Anna a um mergulho especial na obra de Arnaldo Antunes, um dos compositores mais inventivos da música brasileira. O encontro com esse repertório ganhou espaço importante em seus trabalhos recentes e permitiu à cantora colocar sua própria identidade sobre canções atravessadas pela poesia, pelo jogo com as palavras e pela liberdade criativa que sempre caracterizaram a produção de Arnaldo.
A relação com a composição sempre caminhou ao lado de sua atuação como intérprete. Ao longo de 20 anos, Anna construiu uma carreira que não se deixou aprisionar facilmente por rótulos e foi sendo desenhada por discos, shows, parcerias e encontros com artistas de diferentes gerações. Sua trajetória acompanha também as profundas transformações pelas quais a música brasileira passou nas últimas duas décadas — da maneira de gravar e lançar discos à forma como artistas e público passaram a se relacionar.
Chegar aos 20 anos de carreira é também olhar para tudo o que mudou ao redor. Anna começou sua caminhada em uma indústria muito diferente da atual e atravessou um período em que o disco físico perdeu centralidade, o streaming modificou hábitos de escuta e as redes sociais passaram a exigir dos artistas uma presença que vai muito além do palco e do estúdio. Permanecer criando durante todo esse tempo é, por si só, uma história sobre adaptação, desejo e persistência.
Mas Anna parece escolher a celebração menos como balanço e mais como ponto de partida. Em vez de transformar as duas décadas de carreira em exercício de nostalgia, ela revisita repertórios para entender o que essas músicas ainda podem dizer no presente. É uma maneira bonita de perceber o tempo: não apenas contando os anos que passaram, mas observando como uma canção também muda quando nós mudamos.
Na conversa com a jornalista Fabiane Pereira, Anna Ratto fala sobre esse percurso, os encontros que ajudaram a construir sua identidade artística, a experiência de mergulhar na obra de Arnaldo Antunes e o significado de completar 20 anos fazendo música num país em que sustentar uma carreira artística exige reinvenção permanente.
Entre memória e movimento, repertórios revisitados e novas leituras, Anna continua fazendo aquilo que sempre fez muito bem: procurando novas possibilidades dentro da canção brasileira — e lembrando que uma trajetória também se constrói pela coragem de continuar curiosa depois de tantos anos de estrada.


