A automedicação é um costume arraigado no cotidiano de muitos brasileiros. Um analgésico para a dor de cabeça, um antiácido após uma refeição pesada ou até aquele antibiótico “sobrando” em casa — atitudes que parecem inofensivas, mas escondem riscos sérios para a saúde.
“Medicamentos não são neutros. Mesmo os mais comuns podem provocar reações adversas, interações perigosas ou mascarar doenças importantes”, alerta o Dr. Alfredo Salim, clínico geral e head nacional da Brazil Health.
Por que tomar remédio por conta própria é perigoso?
Segundo o especialista, a automedicação pode:
• mascarar sintomas que dificultam o diagnóstico de doenças sérias
• provocar reações alérgicas ou intoxicações
• interagir com outros medicamentos ou alimentos, anulando ou potencializando efeitos
• sobrecarregar o fígado e os rins
• contribuir para a resistência bacteriana, um problema de saúde pública causado pelo uso inadequado de antibióticos
“É muito comum vermos pessoas usando antibióticos para tratar viroses, como gripe. Além de ineficaz, isso favorece o surgimento de bactérias resistentes”, explica Dr. Salim.
Exemplos perigosos de automedicação
Mesmo remédios populares podem causar complicações sérias:
• Paracetamol, dipirona e ibuprofeno: em excesso, podem danificar fígado ou rins
• Anti-inflamatórios: o uso contínuo pode causar úlceras, agravar hipertensão ou afetar a função renal
• Sedativos para dormir: causam dependência, perda de memória e aumentam o risco de quedas em idosos

Cada organismo é único — e exige avaliação individualizada
De acordo com o clínico geral, um erro comum é tomar o mesmo remédio que “funcionou para outra pessoa”. “Cada corpo reage de forma diferente. Um medicamento seguro para um pode ser perigoso para outro, especialmente sem considerar o histórico clínico ou o uso de outros fármacos.”
O melhor cuidado começa com orientação profissional
O atalho da automedicação pode parecer rápido, mas costuma sair caro. Para o médico, a prevenção e o tratamento seguro começam com informação, consciência e orientação profissional. “Parece simples tomar um comprimido por conta própria, mas essa decisão pode comprometer a saúde de forma séria e silenciosa. Sempre procure o seu médico.”



