A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro foi marcada pelo brilho e pela força cultural das escolas Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro, que se destacaram na Marquês de Sapucaí.
As apresentações emocionaram o público ao prestarem tributos a importantes personalidades brasileiras e exaltarem a ancestralidade, reforçando a riqueza histórica e cultural do país em desfiles grandiosos e cheios de significado.
Atual detentora do título do carnaval do Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópolis levou para a avenida a grandiosidade do maior candomblé de rua do mundo com o enredo “Bembé”. O desfile mergulhou na tradição do Bembé do Mercado, celebração realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, transformando a história da cerimônia em um samba vibrante que empolgou o público.
Na comissão de frente, a escola encenou uma procissão de pescadores conduzindo um barco nos ombros. Representando travessia e oferenda, a embarcação se erguia verticalmente em um momento de impacto visual, revelando a Mãe da Água e reforçando a força simbólica e espiritual apresentada no desfile.
UNIDOS DO VIRADOURO
Terceira agremiação a desfilar, já na madrugada de terça-feira (17), a Unidos do Viradouro levou à avenida uma emocionante reverência a um dos maiores ícones do carnaval do Rio de Janeiro, o Mestre Ciça.
Com o enredo “Pra Cima, Ciça”, a escola destacou símbolos tradicionais dos ritmistas em sua comissão de frente, como o pandeiro, o apito e os tambores, ressaltando a importância da batida que embala os desfiles. A abertura da apresentação teve a participação de Vitor Gabriel, responsável por dar vida ao menino Ciça, representando os primeiros passos daquele que se tornaria uma referência no samba.
MOCIDADE E UNIDOS DA TIJUCA
A noite ainda contou com as agremiações Mocidade Independente de Padre Miguel e a Unidos da Tijuca.
Com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, a Mocidade exaltou a trajetória e a influência de Rita Lee, destacando seu legado musical, sua estética marcante e sua postura irreverente que atravessou gerações.
Em um samba repleto de citações a sucessos da artista, a escola apresentou um abre-alas imponente, trazendo o rosto da cantora em destaque e uma vibrante explosão de cores que simbolizava a cultura hippie, reforçando a imagem de Rita como ícone de liberdade e contestação.
No encerramento do desfile, a Mocidade levou para a avenida uma homenagem à canção Lança Perfume, um dos maiores sucessos de Rita e presença marcante nos bailes de carnaval no ano de seu lançamento.
O último carro alegórico trouxe um imponente arlequim verde, acompanhado por grandes latas de lança-perfume, recriando o clima festivo da época. O destaque ficou por conta da participação de Roberto de Carvalho, viúvo da artista, que emocionou o público ao integrar a homenagem.
Encerrando a segunda noite de desfiles do Grupo Especial, a Unidos da Tijuca levou para a avenida o enredo “Carolina Maria de Jesus”, reverenciando a trajetória e a força literária da escritora mineira.
Logo na comissão de frente, a escola apresentou ao público a história da autora a partir de sua obra mais emblemática, Quarto de Despejo. Em uma encenação simbólica, o carrinho utilizado por Carolina para recolher materiais recicláveis pelas ruas se transformava no próprio quarto da favela onde vivia, traduzindo em imagem o universo retratado em sua escrita e a realidade que marcou sua vida.



