Bolsonaro vira réu e cenário eleitoral de 2026 se complica para a direita

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A decisão do Supremo Tribunal Federal de tornar Jair Bolsonaro réu muda o cenário político para as eleições de 2026. Para o cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getúlio Vargas, a mudança é progressiva. “O cenário está mudando no gerúndio”, disse em entrevista ao Jornal Novabrasil.

Segundo Grin, o Centrão e outras forças conservadoras já consideravam Bolsonaro um nome inviável eleitoralmente. Agora, com o avanço da investigação, ele se torna ainda mais distante das disputas. “Muito provavelmente, ele será condenado e isso o afasta das urnas e do centro das articulações”, afirmou.

Apesar disso, Bolsonaro resiste em abrir espaço para uma nova liderança no campo da direita. “Ele insiste que é a única opção, o que atrapalha a reorganização da oposição”, analisou o professor.

Projeto de anistia perde força

Outro ponto central da análise de Grin é o impacto da decisão do STF sobre a proposta de anistia aos envolvidos nos atos golpistas. Para ele, essa discussão está cada vez mais enfraquecida. “A anistia vem enfraquecendo há algum tempo e agora perde ainda mais viabilidade”, afirmou.

As redes sociais, que costumam ser um terreno fértil para os apoiadores de Bolsonaro, também mostram sinais de mudança. “Quase 50% dos monitoramentos indicaram apoio à decisão do STF. Isso mostra que mesmo na base bolsonarista o apoio está diminuindo”, apontou.

Com um Congresso preocupado com a reeleição e pautas menos divisivas, Grin acredita que o projeto de anistia terá dificuldades para avançar. “Há coisas mais urgentes para os parlamentares do que uma pauta que divide a sociedade”, avaliou.

Apoio nas ruas diminui e capital político de Bolsonaro derrete

Com manifestações cada vez mais esvaziadas, o apoio popular a Bolsonaro também se enfraquece. Um exemplo foi o ato no Rio de Janeiro, considerado “pífio” por Grin. “Mesmo quem é contra o governo não apoia mais um discurso golpista”, explicou.

Na visão do professor, Bolsonaro precisa reavaliar sua estratégia. “Em vez de mobilizar, ele enfraquece ainda mais o próprio grupo político”, disse. Isso torna a direita ainda mais fragmentada e, com isso, aumenta a chance de reeleição do presidente Lula.

Grin conclui que a sucessão de derrotas políticas e judiciais tem reduzido drasticamente a força eleitoral de Bolsonaro. “As evidências estão aí: manifestações fracas, perda de apoio e crescente isolamento político”, finalizou.

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