Os botecos são como retratos vivos das nossas lembranças. Têm cheiro de comida feita com afeto, som de risada solta e memória de conversa boa que atravessa a madrugada. Desde 2000, o Comida di Buteco transforma esse patrimônio afetivo em palco para reconhecer quem faz da cozinha de balcão uma arte — e, neste ano, a tradição completou 25 anos.
Durante um mês, quase 1.200 botecos espalhados pelo país participaram da disputa, e nesta segunda-feira (3), o circuito São Paulo conheceu seu campeão: o Boteco do Andreotti. O vice-campeonato ficou com o Boteco da Vila, repetindo a posição de destaque conquistada também no ano passado. E o terceiro lugar foi para o Bar e Mercearia Carauari, seguido por Geraldino Bar e Brasa e Viva Boteco.

Mas, apesar da contagem de votos e da expectativa dos pódios, o Comida di Buteco vai além da competição. Ele é celebração da cultura de esquina. A cada garfada, uma memória. A cada prato, uma história familiar.
Buteco raiz, de gente para gente
A proposta do Comida di Buteco é clara: resgatar os botecos familiares, aqueles onde o dono atende, a esposa cozinha e o filho cuida do caixa. Nada de redes, nada de franquias. Só balcão, chapa quente, cerveja gelada e petisco inventado com alma.
É essa simplicidade sofisticada que move a chamada “nação butequeira” — formada por cozinheiros, clientes, jurados, apoiadores e veículos como a Novabrasil, que acompanhou o concurso de perto. Não há glamour, mas há essência. E ela mora na mistura de temperos, sotaques e afetos que sustentam a cultura gastronômica do país.
Comida que une, histórias que ficam
Se há um elemento que aproxima os butecos é o sabor da convivência. No Boteco da Vila, por exemplo, o cardápio tem gosto de amizade — o bar nasceu entre amigos e virou ponto de reencontro. No Carauari, a receita vem do norte do país. E no Andreotti, atual campeão, o petisco é quase um abraço no paladar.
O concurso tem jurados e critérios técnicos, mas quem realmente vence é a comida que une. Porque não existe petisco melhor, existe o petisco que te acolhe. Não há buteco imbatível, há butecos que te conhecem pelo nome.
O futuro é boteco
Ao completar 25 anos, o Comida di Buteco reafirma o que o público já sabe: o buteco não é moda, é patrimônio. Pode mudar a cidade, pode mudar o país — o boteco continua ali, de porta aberta, esperando a próxima história acontecer.
E quando julho chegar, com a escolha do melhor boteco do Brasil, o vencedor será apenas mais um capítulo. Porque a verdadeira conquista é diária: manter acesa a chama do balcão que alimenta não só o estômago, mas também a alma.



