O Brasil fechou 2025 com o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão da série histórica: 4.515 relatos foram registrados ao longo do ano, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Esse total supera com folga o recorde anterior, reforçando uma tendência de alta contínua nos últimos anos — em 2024 já haviam sido registrados quase 4 mil ocorrências. As denúncias são feitas principalmente pelo Disque 100 e pelo Sistema Ipê, plataformas que recebem queixas sobre violações de direitos humanos e laborais em todo o país.
O aumento dos relatos não se limita a um único tipo de exploração: os casos abrangem adultos e crianças submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, práticas que configuram crime segundo o artigo 149 do Código Penal. Apesar do crescimento das denúncias, especialistas e autoridades apontam que isso também pode refletir uma maior conscientização e uso dos canais de denúncia, além de um esforço mais amplo de fiscalização em áreas rurais e urbanas.
Ainda que o volume de registros seja alarmante, o combate efetivo envolve ações integradas de fiscalização e resgate. Entre 1995 e 2024, mais de 65 mil trabalhadores foram retirados de situações análogas à escravidão em operações conduzidas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, Ministério do Trabalho e parceiros. As campanhas de conscientização, assim como o aperfeiçoamento das políticas públicas e a atualização da “Lista Suja” de empregadores flagrados em práticas ilegais, compõem a estratégia para enfrentar essa violação de direitos humanos profundamente enraizada no país.



