Você já ouviu alguém dizer que, na família, todo mundo tem colesterol alto e que isso é normal? Essa é uma frase muito comum. Eu mesma ouvi isso de um paciente esta semana. E apesar de parecer algo simples, ela pode esconder um risco importante.
Quando várias pessoas da mesma família têm colesterol alto, isso não deve ser ignorado. Muitas vezes, esse padrão acaba sendo visto como algo esperado, quase como uma característica familiar. Mas, na prática, pode indicar um problema que precisa de atenção.
Nem todo colesterol alto é igual
O colesterol pode aumentar por diferentes motivos. Em muitos casos, ele está relacionado ao estilo de vida. Alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de peso são fatores que contribuem bastante. Nessas situações, mudanças de hábitos costumam trazer bons resultados.
Mas existe um outro tipo de colesterol alto, que tem origem genética. Esse costuma aparecer em várias pessoas da mesma família e, muitas vezes, desde mais cedo. E o mais importante é que ele não causa sintomas.
O grande problema: ele é silencioso
O colesterol alto não dói, não causa desconforto e não dá sinais claros. Por isso, pode passar anos sem ser diagnosticado. Quando não é identificado, pode levar ao desenvolvimento de placas nas artérias e aumentar o risco de infarto do miocárdio e AVC (acidente vascular cerebral).
É por isso que, muitas vezes, diante de um evento cardiovascular, surge a impressão de que aconteceu “do nada”. Mas, na verdade, o risco já estava presente.
Quando é preciso investigar
Alguns sinais na família devem chamar atenção e motivar avaliação médica:
- Colesterol LDL “ruim” acima de 190
- Infarto em idade precoce na família, parentes de 1 grau:
Homens antes dos 55 anos
Mulheres antes dos 65 anos - Várias pessoas da família com colesterol elevado
- Lipoproteína(a) aumentada
A lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), é um tipo de colesterol ruim de origem genética que aumenta o risco cardiovascular. Hoje, as diretrizes recomendam que ela seja dosada pelo menos uma vez na vida.
Quando LDL ( “colesterol ruim” ) for acima de 190 mg/dl, pode existir uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar.
Nesses casos, o risco cardiovascular é mais alto desde cedo, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença.
A boa notícia
É possível identificar esse risco antes que algo mais grave aconteça. Com exames de sangue, check-up regular e avaliação cardiológica , conseguimos detectar alterações e iniciar o tratamento no momento certo. Em algumas situações, a investigação pode incluir testes genéticos.
O principal recado
Se na sua família há muitos casos de colesterol alto ou infarto, isso merece atenção. Não é algo para ser considerado normal. Quando o assunto é coração, a ausência de sintomas não significa ausência de risco. quanto mais cedo a gente identifica, maior a chance de prevenir. Quem vê cara, não vê coração.



