O uso de medicamentos análogos ao GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras, mudou o tratamento da obesidade ao favorecer a saciedade e reduzir o apetite, levando a perdas de peso expressivas em pouco tempo. Mas a rapidez do emagrecimento pode cobrar um preço no espelho, com efeitos que aparecem na pele, no cabelo e nas unhas.
A dermatologista Ana Helena Gomes de Barros Murgolo explica que o corpo passa por uma transição metabólica intensa quando o peso cai de forma acelerada, o que pode afetar estruturas que dependem de energia e nutrientes para se manterem saudáveis. “Muitas pessoas percebem que a balança vai bem, mas a pele, o rosto e o cabelo passam a dar sinais de que a mudança foi rápida demais”, afirma.
Entre as queixas mais comuns está a mudança no rosto, frequentemente descrita como “derretimento”. A face tem compartimentos de gordura que ajudam a sustentar os tecidos e manter o aspecto descansado. Quando essa gordura diminui de forma abrupta, podem surgir ou se acentuar sulcos e marcas, além de olheiras mais profundas e perda de definição do contorno facial.
Outro ponto é a flacidez. Com a redução de volume em pouco tempo, a pele nem sempre consegue se retrair na mesma velocidade, o que tende a deixar o tecido mais “solto”, principalmente em áreas como rosto e corpo.
Queda de cabelo e unhas frágeis: por que acontece
A queda de cabelo é um dos motivos que mais levam pacientes ao consultório alguns meses após o início do emagrecimento. Segundo a dermatologista, o quadro costuma ser compatível com eflúvio telógeno agudo, uma queda intensa, geralmente temporária, que pode ocorrer após um estresse para o organismo — como emagrecimento acentuado e dietas restritivas.
“O corpo entende aquele período como um momento de adaptação e passa a priorizar energia e nutrientes para funções vitais, deixando cabelo e unhas em segundo plano”, explica Murgolo. Com isso, muitos fios podem sair ao mesmo tempo da fase de crescimento e entrar na fase de queda.
As unhas também podem sofrer. Em contextos de forte restrição calórica, especialmente quando a ingestão de proteínas fica abaixo do necessário, é mais comum notar unhas fracas, quebradiças, com descamação e crescimento mais lento.

Como reduzir os impactos durante o tratamento
Para a especialista, o ideal é que os cuidados com pele, cabelo e unhas comecem junto com o tratamento para perda de peso, e não apenas quando os sinais já aparecem. O foco deve estar em suporte nutricional, hidratação e um ritmo de emagrecimento mais controlado, quando possível.
No dia a dia, a recomendação é priorizar produtos que ajudem a proteger e recuperar a barreira da pele. Pela manhã, hidratantes e antioxidantes podem ser aliados, além do uso diário de protetor solar. À noite,
retinoides podem ser incorporados com orientação médica para estimular a renovação da pele e contribuir para a firmeza, ao favorecer a produção de colágeno e elastina.
Quando há perda de volume e flacidez mais evidente, procedimentos em consultório podem ser considerados de forma individualizada. Entre as possibilidades citadas estão bioestimuladores de colágeno injetáveis, usados para melhorar a espessura da pele e a firmeza, e preenchimentos com ácido hialurônico para reequilibrar volumes do rosto com naturalidade.
Também podem entrar no plano tecnologias como ultrassom microfocado e radiofrequência, que atuam estimulando retração e sustentação dos tecidos. “O mais importante é entender que saúde e estética caminham juntas: dá para emagrecer com segurança e, ao mesmo tempo, cuidar da qualidade da pele e dos cabelos”, destaca a dermatologista.
O acompanhamento médico ao longo do processo ajuda a reconhecer precocemente os efeitos e a ajustar estratégias, evitando que a melhora na saúde metabólica venha acompanhada de desconforto importante com a aparência ou com sinais de fragilidade capilar e ungueal


