Este ano, o Carnaval do Rio celebra a música e a cultura brasileiras com belas homenagens a artistas e movimentos que marcaram décadas de história artística no país. Ao longo dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, nomes como Ney Matogrosso, Rita Lee, Heitor dos Prazeres e até o movimento Manguebeat ganham destaque em enredos que exploram suas trajetórias, legados e impacto cultural.
A Imperatriz Leopoldinense abre as homenagens com o enredo “Camaleônico”, dedicado ao cantor Ney Matogrosso, ícone de inovação, performatividade e liberdade estética. Considerado uma das vozes mais expressivas e influentes da música brasileira, Matogrosso construiu uma carreira marcada pela ousadia e pela ruptura de padrões, desde os tempos do Secos & Molhados até sua trajetória solo — rompendo fronteiras de gênero, estilo e linguagem musical.
A Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu homenagear Rita Lee, com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”. Figura emblemática do rock brasileiro, Rita foi pioneira ao unir rock, tropicalismo e irreverência no cenário nacional. Sua trajetória, que passa pelos Mutantes e por uma carreira solo cheia de ousadia, humor e crítica social, tornou-a símbolo de autenticidade e liberdade de expressão na música popular brasileira.

Outro grande nome presente nos desfiles é o de Heitor dos Prazeres, homenageado pela Unidos de Vila Isabel. Prazeres — compositor, cantor, poeta e pintor — foi uma das figuras fundadoras do samba carioca e uma voz essencial na formação da identidade do gênero. Com uma obra que unia lirismo, vivência urbana e ancestralidade afro-brasileira, ele é reverenciado como um dos pioneiros da cultura popular que ajudaram a moldar o caráter simbólico e estético do samba. Na minha opinião, a grande favorita ao título e a que tem o melhor samba enredo.
Ainda na avenida, o movimento Manguebeat, surgido em Recife nos anos 1990 e celebrado pela Acadêmicos do Grande Rio com o enredo “A Nação do Mangue”, traz para o Carnaval a energia da fusão cultural e musical que renovou a cena brasileira. Criado por artistas como Chico Science e Nação Zumbi, o Manguebeat misturou rock, hip-hop, maracatu e ritmos regionais para expressar criatividade urbana e resistência cultural, tornando-se um marco da música contemporânea no Brasil. Artistas pernambucanos como a cantora Duda Beat vai desfilar pela escola.
Essas homenagens reforçam uma tendência da Sapucaí em 2026: narrativas biográficas e a valorização de trajetórias que ampliaram horizontes estéticos, contestaram convenções e influenciaram gerações, transformando o Carnaval em uma plataforma de memória, identidade e celebração cultural.



