Carnaval é folia, mas exige cuidado com rins

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São mais de 600 blocos espalhados por São Paulo e a expectativa de 16,5 milhões de pessoas circulando pela cidade durante o Carnaval 2026. Fantasia pronta, roteiro definido, celular carregado. Mas, no meio da folia, uma pergunta importante: como anda a saúde?

Em meio ao calor intenso, longas caminhadas e consumo de álcool, os rins acabam sendo exigidos além do limite. E o problema vai muito além da ressaca.

A nefrologista Dra. Daphnne Camaroske, da Fênix Nefrologia, explica por que essa combinação típica do Carnaval pode sobrecarregar o organismo.

Por que calor e álcool pesam tanto para os rins

Segundo a médica, o álcool interfere diretamente no funcionamento do corpo.

“O álcool bloqueia o nosso hormônio antidiurético, que é o que estimula ali a segurada da urina. Quando ele faz esse bloqueio, faz com que a pessoa urine ainda mais.”

Em outras palavras: a cerveja não hidrata. Pelo contrário. “Muita gente acha que tá bebendo a cerveja que tá se hidratando, mas a cerveja tá acelerando e aumentando a quantidade de urina da pessoa.”

Somado ao calor, suor excessivo e pouca ingestão de água, o risco é claro: desidratação, que pode comprometer o funcionamento renal.

Não é só ressaca

O impacto não se limita ao mal-estar do dia seguinte. A médica alerta que o álcool também eleva a pressão arterial.

“O álcool também estimula o aumento da pressão arterial. E a própria pressão arterial é uma das doenças que mais levam ao comprometimento renal.”

Para quem já tem hipertensão, diabetes ou doença renal crônica, o cuidado precisa ser redobrado.

Dá para curtir com equilíbrio

A boa notícia é que não é preciso abrir mão da festa. O segredo está no equilíbrio.

“Dá para todo mundo aproveitar com segurança”, afirma a especialista.

Entre as principais orientações:

-Não beber em jejum
-Intercalar bebida alcoólica com água
-Evitar grandes quantidades em pouco tempo
-Não misturar diferentes tipos de bebida

“Beber uma cerveja, um copo de água. Vai intercalando com água, que isso ajuda muito a proteger tanto da desidratação como o risco de piora renal.”

E sim, a regra de alternar álcool e água funciona. “A água não corta o efeito do álcool, mas diminui o risco de desidratação.”

Quando procurar ajuda médica

Os rins costumam ser silenciosos. “O rim é bem silencioso, ele não dá sintomas”, explica Daphnne Camaroske.

Mas alguns sinais merecem atenção:

-Urina muito escura
-Inchaço nos olhos ou tornozelos
-Náusea e vômitos persistentes
-Fadiga intensa
-Ressaca desproporcional ao que foi consumido

“Uma ressaca que parece uma fadiga muito intensa pode ser sim um sinal de algum problema nos rins.”

No fim das contas, o Carnaval 2026 promete ser grandioso em São Paulo, culturalmente e economicamente. Mas a festa só vale a pena se o corpo acompanhar o ritmo.

Entre um bloco e outro, vale lembrar: água não é fantasia, mas também é obrigatória.

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