O pescoço está entre as áreas que mais cedo evidenciam sinais do tempo. Papada, perda do contorno da mandíbula, pele mais solta e faixas verticais que aparecem ao falar ou contrair a região (as chamadas bandas do platisma) estão entre as queixas mais comuns.
Com o avanço de procedimentos menos invasivos, muita gente busca alternativas que prometem melhorar a firmeza da pele, estimular colágeno e reduzir pequenas áreas de gordura. Mas esses recursos têm limites, principalmente quando as mudanças não estão apenas na superfície.
Para o cirurgião plástico Raphael Alcalde, a escolha do tratamento precisa considerar a causa real do problema. “Quando existe flacidez muscular, excesso importante de pele ou alterações em planos mais profundos do pescoço, os resultados mais previsíveis e duradouros costumam vir da cirurgia”, afirma.
Quando procedimentos superficiais deixam de resolver
Nem toda papada é igual. Em algumas pessoas, ela é formada principalmente por gordura logo abaixo da pele; em outras, o que pesa mais é o excesso de pele, a perda de sustentação do músculo platisma ou depósitos de gordura localizados em camadas mais profundas, abaixo desse músculo.
Essa diferença ajuda a explicar por que alguns pacientes se frustram após sessões repetidas de tratamentos superficiais. Se o principal fator está abaixo da pele, estimular colágeno ou tratar apenas a gordura mais externa tende a ter efeito limitado.
De acordo com Alcalde, a cirurgia costuma ser considerada quando há:
- · flacidez importante e pele sobrando;
- · perda do ângulo entre o queixo e o pescoço (contorno menos definido);
- · bandas do platisma bem-marcadas;
- · pouca resposta a abordagens menos invasivas.
Nesses quadros, o médico destaca que insistir em várias tentativas pode significar mais custo e tempo sem ganhos proporcionais. “O ponto-chave é tratar a estrutura que realmente está causando a alteração”, explica.
O que mudou nas técnicas de cirurgia de pescoço
A cirurgia de pescoço deixou de ter como foco apenas “esticar a pele”. Técnicas mais atuais buscam reequilibrar a anatomia, tratando diferentes camadas de uma só vez. Isso pode incluir reposicionamento do platisma, remoção ou remodelação de gordura mais profunda e ajustes para melhorar a transição entre rosto e pescoço.
Em pacientes bem selecionados, procedimentos mais profundos, como o deep neck lift, permitem atuar em planos que os tratamentos superficiais não alcançam. Segundo Alcalde, essa abordagem pode
favorecer um contorno mais definido e com aspecto natural, especialmente quando o problema não é apenas excesso de pele.
Em alguns casos, a cirurgia cervical também pode ser combinada ao lifting facial, com o objetivo de criar um rejuvenescimento mais harmônico do rosto como um todo.
Cada paciente tem uma combinação diferente de fatores
O envelhecimento do pescoço não segue um roteiro único. Genética, qualidade da pele, variações na distribuição de gordura, histórico de emagrecimento e até o formato do queixo e da mandíbula influenciam diretamente no resultado e na indicação do tratamento.
Por isso, pessoas da mesma idade podem precisar de estratégias completamente diferentes: algumas melhoram com lipoaspiração da região; outras podem se beneficiar de tecnologias associadas a bioestimuladores; e há quem tenha indicação mais clara de lifting cervical ou de técnicas voltadas às camadas profundas.
Para Alcalde, a tendência mais importante na área é a individualização. “Mais do que escolher o procedimento mais moderno, é fundamental indicar o que trata a causa verdadeira do incômodo. Isso é o que costuma levar a resultados mais naturais e duradouros”, conclui.


