Uma variação da cirurgia robótica de retirada da próstata vem ganhando força no Brasil e no mundo por acelerar a recuperação e diminuir os impactos no dia a dia do paciente. Chamada Retzius Sparing, a técnica reduz dor, sangramento, tempo de internação e melhora a retomada do controle urinário e da vida sexual após o procedimento.
Menos invasão, mais precisão
Diferente da abordagem tradicional, que acessa a próstata pela frente da bexiga, a Retzius Sparing é feita por trás, entre a bexiga e o reto. Isso evita descolar ligamentos e vasos importantes, o que preserva estruturas decisivas para a continência e a ereção. “Essa mudança aparentemente simples faz toda a diferença quando se fala em redução da perda de urina e manutenção da vascularização do pênis”, afirma o urologista Marcos Tobias Machado.
Com incisões menores e visão ampliada em 3D, o robô permite movimentos de alta precisão, diminuindo o risco de lesões em nervos e vasos delicados. Na prática, a alta costuma ocorrer em um ou dois dias, com retorno mais rápido e seguro às atividades habituais.
Segundo trabalho recente do grupo do especialista em parceria com pioneiros italianos, ao poupar a parede abdominal anterior, a Retzius Sparing também se associa a menor ocorrência de hérnias inguinais “de novo” em comparação às técnicas aberta, laparoscópica e à robótica com acesso anterior.

Controle urinário e vida sexual melhor preservados
Um dos maiores receios após a retirada da próstata é perder o controle da urina e ter piora da função sexual. “A abordagem Retzius Sparing foi desenvolvida justamente para minimizar esses efeitos, mantendo intactas as estruturas de sustentação da bexiga, a vasculatura arterial e venosa que passam na porção anterior e lateral e os feixes nervosos que controlam a ereção”, diz Machado.
Estudos internacionais mostram recuperação funcional mais rápida com a técnica. De acordo com especialistas, cerca de 90% dos pacientes retomam o controle urinário em 30 dias. Há ainda melhora mais veloz da função erétil, menor encurtamento do pênis, menor chance de curvaturas penianas secundárias à doença de Peyronie e redução da chamada climactúria (ejaculação com conteúdo urinário), sobretudo quando o diagnóstico é precoce e o tumor está restrito à próstata.
Evidências em crescimento
Foi aceita para publicação a maior experiência latino-americana multicêntrica com a Retzius Sparing, reforçando que a técnica alia segurança oncológica a recuperação funcional acelerada. Esses resultados se somam aos dados internacionais que apontam a abordagem como uma das mais promissoras da urologia moderna.
Embora a cirurgia robótica exija investimento maior dos hospitais, o saldo para o paciente é claro. “O benefício para o paciente é indiscutível: menos dor, menos tempo de internação e melhor qualidade de vida no pós-operatório”, conclui o urologista.



