RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Clara Nunes: a cantora que cantou o Brasil

Há exatos 43 anos, no dia 02 de abril de 1983, o Brasil se despedia precocemente de Clara Nunes. A cantora faleceu de forma inesperada, aos 40 anos, por conta de um choque anafilático, após ficar internada por dias após uma parada cardíaca em uma cirurgia de varizes. 

E deixou um Brasil inteiro órfão de seu talento e presença monumental. Justamente ela, que tanto cantou o Brasil.

É isso mesmo: existem artistas que cantam músicas. Existem artistas que constroem carreiras. Mas existem aqueles que – como Clara Nunes – sem necessariamente dizer isso de forma direta, acabam ajudando a contar a história de um país.

Clara Nunes foi uma dessas artistas: ela cantou o Brasil.

Ao olhar para a sua discografia, para as canções que escolheu gravar, para os compositores que decidiu interpretar e para a imagem que construiu ao longo da carreira, fica a sensação de que nada ali era por acaso. Clara parecia guiada por uma espécie de projeto artístico muito claro: cantar o Brasil, mas não qualquer Brasil. O Brasil profundo, ancestral, popular, religioso, mestiço, coletivo.

Antes mesmo de esse tipo de discussão ocupar universidades, livros e debates culturais, Clara Nunes já colocava tudo isso nos seus discos, nos palcos e no rádio.

Sua voz desenhava paisagens: quando ela cantava o mar, não era apenas o mar como cenário, mas como força, como berço, como destino. Quando cantava a areia, o vento, a estrada, o povo brasileiro, havia sempre a sensação de resgate, de movimento, de uma história sendo carregada – e honrada – de geração em geração. 

As músicas que interpretava falavam de origem, de ancestralidade, de fé, de luta, de memória. Falavam de um Brasil que muitas vezes não aparecia como protagonista, mas que sempre sustentou a identidade cultural do país. De raízes muitas vezes apagadas, de culturas muitas vezes dizimadas. Mas nunca no canto de Clara Nunes. 

Clara foi uma das primeiras grandes artistas populares a assumir de forma tão clara, também na estética e na imagem, a valorização das matrizes africanas e da religiosidade afro-brasileira. As roupas brancas, os colares, os elementos simbólicos que levava para o palco não eram apenas figurinos: eram discurso. Seu corpo em cena também comunicava aquilo que sua voz cantava. Era como se a artista e a obra fossem uma coisa só.

Mas talvez o que mais impressione ao revisitar sua trajetória seja a coerência: Clara Nunes não parecia gravar músicas ou compositores isolados, sucessos soltos ou repertórios aleatórios. Seus discos, vistos em perspectiva, parecem capítulos de uma mesma narrativa: a narrativa de um Brasil popular e profundamente ligado às suas raízes culturais.

Nesse sentido, ela foi mais do que uma grande cantora. Foi uma grande intérprete do que é ser brasileiro. De um país inteiro: suas dores, suas festas, sua fé, sua história e sua gente. Clara cantava sobre pertencimento: sobre quem somos e de onde viemos.

Talvez por isso sua obra continue tão atual. Porque o Brasil que Clara Nunes cantou ainda existe, ainda resiste, ainda busca espaço e reconhecimento. Está nas rodas de samba, nas festas populares, nos terreiros, nas procissões, nas feiras, nas cidades do interior, nas periferias, nas escolas de samba e em tantas manifestações culturais que formam a identidade brasileira.

E talvez essa seja sua maior contribuição para a música brasileira: Clara Nunes ajudou o Brasil a se ouvir e a se reconhecer na própria história, na própria cultura e na própria voz.

Décadas depois de sua partida, suas canções continuam ecoando mais fortes do que nunca! 

Confira o Arquivo Novabrasil especial Clara Nunes e saiba tudo sobre a vida e a obra da cantora que cantou o Brasil:

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS