Popularizados por celebridades e influenciadores, os coletes com peso entraram na rotina de muitos praticantes de atividade física. Porém, apesar do apelo visual e da promessa de resultados acelerados, especialistas em saúde e fisioterapia recomendam cautela: faltam estudos científicos robustos que comprovem os benefícios desse tipo de acessório.
Coletes com peso: o que são e por que atraem atenção
Parecidos com coletes táticos usados por policiais, os modelos fitness permitem a inclusão de cargas variáveis nos bolsos, tornando os exercícios mais intensos. Entre os supostos efeitos positivos estão o aumento do gasto calórico, melhora da resistência física e até a prevenção da perda óssea — argumento que tem chamado a atenção de mulheres no climatério.
“Em teoria, o estímulo extra poderia ajudar a manter a densidade óssea, mas os estudos ainda são muito limitados”, explica o fisioterapeuta Adriano Canevari Cavalcante, fisioterapeuta do Clube Hebraica. “Não existem evidências sólidas que garantam benefícios reais e seguros para o público em geral.”
Riscos superam benefícios sem orientação adequada
Segundo especialistas, o uso indiscriminado pode sobrecarregar articulações, causar dores nos ombros, joelhos ou coluna e agravar problemas como escoliose e hiperlordose. A prática de determinados exercícios com o colete também pode alterar a biomecânica do movimento, comprometendo a postura e aumentando o risco de lesões.
“Quem tem dor articular ou problemas de coluna deve evitar o uso”, alerta Canevari. “O ideal é que qualquer treino com carga adicional seja feito sob supervisão, com avaliação individualizada.”

Treinamento tradicional continua sendo o mais indicado
Embora o colete possa ter aplicações pontuais em contextos muito específicos, os especialistas reforçam que o treinamento funcional tradicional já oferece benefícios comprovados para equilíbrio, força e condicionamento físico, sem a necessidade de sobrecarga extra.
“Suportar o próprio peso corporal com boa execução já é suficiente para evoluir com segurança”, conclui o fisioterapeuta.
O recado dos profissionais é claro: antes de seguir uma tendência da internet, é fundamental consultar quem entende do assunto. A saúde agradece.



