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Como correr sem se machucar: médico ensina cuidados antes e depois da prova

A corrida de rua virou hábito para milhões de brasileiros, mas o entusiasmo nem sempre vem acompanhado de preparo. Lesões e intercorrências crescem com a falta de planejamento. Para o médico do esporte Rafael Rivas Pasco, a chave está no que acontece fora do pórtico de largada e de chegada. “O segredo para correr bem e com segurança está nos cuidados que antecedem e sucedem cada prova – tão importantes quanto o próprio treino”, afirma.

Preparação é mais do que correr

Treinar só volume não basta. O desempenho começa com uma periodização que combine resistência, força e mobilidade. Sem musculatura firme, as articulações sofrem mais impacto e a chance de contusão cresce. “O fortalecimento muscular é essencial para estabilizar articulações, reduzir impacto e prevenir lesões em joelhos e tornozelos”, diz o especialista.

A nutrição entra como aliada direta do rendimento. Carboidratos antes da corrida mantêm a energia e retardam a fadiga; no pós-prova, proteínas e líquidos aceleram a recuperação. A recomendação também vale para a garrafinha: “A hidratação, por sua vez, deve começar nas 24 horas anteriores e continuar mesmo depois da linha de chegada, para repor perdas e equilibrar eletrólitos”.

Recuperação também faz parte do treino

Descanso não é preguiça: é quando o corpo repara microlesões e se adapta ao esforço, especialmente durante o sono. Ignorar pausas pode empurrar o corredor para um quadro de excesso de treino. “Treinar todos os dias sem pausas adequadas pode levar ao chamado overtraining, caracterizado por queda de desempenho, dores persistentes, alterações de humor e até problemas hormonais”, alerta.

Recuperação ativa ajuda no dia seguinte. Caminhadas leves, alongamentos e liberação miofascial melhoram a circulação e reduzem a rigidez. Massagens, crioterapia e fisioterapia preventiva podem acelerar a regeneração e diminuir o risco de novas lesões.

Foto: Divulgação.

Antes, durante e depois: quando buscar orientação

Antes de começar ou intensificar os treinos, vale uma checagem completa. “Realizar uma avaliação com médico do esporte antes de iniciar ou intensificar os treinos é indispensável”, reforça Pasco. O exame clínico, testes de esforço e análises laboratoriais ajudam a mapear limites, reduzir riscos cardíacos e personalizar o plano.

Na hora da prova, autoconhecimento é regra. Se o corpo acende um alerta, é melhor parar e pedir ajuda. “Sintomas como tontura, dor torácica, palpitações, falta de ar ou câimbras intensas devem ser motivo para interromper o exercício e buscar atendimento.” Entre os sinais de alerta estão:

  • · Tontura
  • · Dor no peito
  • · Palpitações
  • · Falta de ar
  • · Câimbras intensas

Depois do esforço, nada de sumir da rotina por semanas. O retorno deve ser gradual: “A recomendação é evitar longas pausas sem atividade, mas respeitar o tempo de recuperação muscular e articular”. No fim, a constância – dentro e fora do treino – é que sustenta a evolução. “Quem cuida do corpo fora das pistas corre mais leve – e vai mais longe.”

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