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Conheça a história da música “O que é, o que é”, de Gonzaguinha

Um verdadeiro hino da música popular brasileira, a canção “O que é, o que é” é um dos maiores sucessos da carreira do cantor e compositor Gonzaguinha. E você sabia que ela foi composta com a ajuda dos fãs do artista?

A história por trás da composição dessa música é uma das mais bonitas da MPB. E quem trouxe ela à tona, quase 40 anos depois do lançamento da canção, foi a cantora e compositora paulista Bruna Caram.

Em 2023, Bruna lançou um álbum chamado “Afeto e Luta – Bruna Caram canta Gonzaguinha”, em que interpreta somente canções de Luiz Gonzaga Jr, e que teve direção de voz de Nanan Gonzaga, filha de Gonzaguinha e neta de Gonzagão.

Foi Nanan que contou a história de “O que é, o que é” para Bruna. Ela revelou que   Gonzaguinha fez a canção em parceria colaborativa com os seus fãs: o artista pediu que os fãs escrevessem cartas para ele respondendo à pergunta: “O que é a vida para você?”. Essas cartas estão guardadas até os dias atuais.

Entre as várias respostas – muitas desesperançosas e tristes, dizendo que a vida era difícil, que havia sofrimento em suas vidas – uma delas tocou o compositor: com uma caligrafia infantil (ou seja, escrita por uma criança!), a carta respondia coisas como “A vida é andar de bicicleta”, “A vida é tomar sorvete” e, finalmente, a frase que serviu de mote: “Na verdade eu não sei o que é a vida, eu só sei que é bonita”. 

Ou seja: em “O que é, o que é” Gonzaguinha traduziu – com a ajuda dos fãs, principalmente de uma criança – o que é a complexidade da vida. Ele escutou a resposta dos adultos, mas preferiu ficar “com a pureza da resposta das crianças” para trazer conforto e esperança para esses adultos:

A música foi lançada por Gonzaguinha no disco“Caminhos do Coração”, de 1982, tornando-se um dos maiores sucessos da nossa música e sendo regravada depois por outros artistas como: Maria Bethânia, Beth Carvalho, Zizi Possi,Simone, MPB4, Emílio Santiago e Zé Ramalho.

Gonzaguinha fez da canção um instrumento de denúncia, afeto, esperança e transformação.

Ele compunha como ninguém sobre os problemas e também as belezas da nossa sociedade. Mesclava na sua obra canções de protesto e de amor, com letras críticas e engajadas, de cunho político e social e também outras em que falava com paixão, otimismo e esperança sobre um povo, um amor ou um lugar.

Uma curiosidade é que o artista vinha sendo chamado – desde o início da sua carreira – de “cantor rancor” por parte da imprensa, que dizia que o apelido era por conta de sua “agressividade” ou “imagem de antipatia”, que nada mais era do que um corajoso enfrentamento das injustiças sociais e dos tempos duros de regime militar.

Com o passar do tempo e com o começo da abertura política, na segunda metade da década de 70, o artista percebeu que suas letras não alcançavam o público que ele queria tocar. Assim, ele começou a compor canções mais leves, mais ainda com mensagens importantes, conscientes e politizadas, onde driblava os censores com alegorias.

Foi nesta época que ele passou a compor canções como “ O que é, O que é”.

Mais sobre Gonzaguinha

Nascido Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, no Rio de Janeiro, em 1945, Gonzaguinha é filho do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, com Odaléia Guedes. Perdeu a mãe muito cedo e foi criado pelos padrinhos, no Morro de São Carlos, onde conviveu de perto com a realidade das ruas e a força do samba carioca. Foi ali que nasceu sua consciência social e o amor pela música como forma de expressão.

Compositor precoce, Gonzaguinha escreveu sua primeira canção aos 14 anos. Ainda jovem, formou-se em Economia, para agradar o pai, mas seu destino estava mesmo na música. Durante a ditadura militar, tornou-se um dos porta-vozes da juventude inconformada, com letras intensas, críticas, por vezes censuradas, mas sempre carregadas de verdade.

Ao longo da carreira, revelou uma sensibilidade única para traduzir sentimentos. De um lado, o homem politizado, inconformado, combativo. Do outro, o poeta do amor, da esperança, da ternura. 

Com o tempo, reconstruiu laços com o pai e passou a compor e se apresentar ao lado de Gonzagão, em um encontro emocionante entre o Brasil sertanejo e o Brasil urbano: entre o baião e a canção com compromisso social.

Gonzaguinha partiu cedo demais, aos 45 anos, em 1991. Mas deixou uma obra viva, atemporal e necessária. Uma obra que nos emociona, nos desperta e nos lembra que é preciso “ter fé na vida, fé no homem, fé no que virá”. Porque a vida é, sim, bonita!

Se você quiser saber mais sobre esse artista que nos ensinou a “viver e não ter a vergonha de ser feliz”, assista ao Arquivo Novabrasil especial Gonzaguinha, um programa exclusivo Novabrasil, sobre a vida e a obra de grandes artistas da nossa música. Uma verdadeira enciclopédia da MPB:

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