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Conheça Benedito Lacerda, compositor da famosa marchinha “A Jardineira”

O compositor, flautista e regente Benedito Lacerda nasceu em Macaé, no estado do Rio de Janeiro, começou a tocar flauta “de ouvido” – aos 8 anos – e desde pequeno frequentou a Sociedade Musical Nova Aurora, orquestra da cidade, fundada em 1873.

Um pouco mais velho, foi morar com a mãe no Estácio, na Zona Central do Rio, conhecido como o “berço do samba” por ser o lar da escola de samba Estácio de Sá e historicamente ligado ao surgimento do samba carioca. 

Localizado aos pés do Morro de São Carlos, o Estácio é um bairro residencial e de passagem, próximo ao Sambódromo e ao Centro. Benedito cresceu, então, em um ambiente de muitos “chorões” e sambistas, ao lado de nomes como Noel Rosa, Ismael Silva e Bidê. 

Também foi no Estácio, em 12 de agosto de 1928, a fundação do bloco Deixa Falar, que entrou para a história como “a primeira escola de samba do Brasil”, reunindo os grandes compositores locais. Benedito entrou para a escola como tocador de surdo,instrumento de percussão de som grave que teria sido criado por este grupo para ditar o andamento do samba nos desfiles

Mais tarde, já em idade de servir o exército, Benedito Lacerda se alistou e passou a compor a banda da corporação, tocando bumbo, uma vez que ainda não conhecia a música na pauta. 

Foi aí que passou a estudar teoria musical e logo começou a tocar flauta na banda. Em pouco tempo no posto de flautista da corporação, o artista passou numa prova em primeiro lugar para flautista de primeira classe, ao tocar toda a parte de flauta da ópera “O Guarany”, de Carlos Gomes. 

Benedito Lacerda | Imagem: Reprodução

O diálogo entre o choro e o samba

Benedito ficou cinco anos na carreira militar, e, em 1927, pediu baixa para dedicar-se à música popular. Reconhecido por sua capacidade de organização como regente e pela criatividade como instrumentista e arranjador, esteticamente estabeleceu o diálogo entre o choro e o samba, e contribuiu para o processo de incorporação desses gêneros ao repertório da era de ouro do rádio.

Em 1928, foi tocar com o grupo regional Boêmios da Cidade, acompanhando a cantora e dançarina norte-americana, naturalizada francesa Josephine Baker, tocando em cinemas, orquestras de teatros, dancings e cabarés. 

Atuou também como saxofonista em algumas orquestras de jazz. No início da década de 1930, Benedito Lacerda organizou por um curto período de tempo um grupo com ritmos brasileiros, batizado de Gente do Morro, e caracterizado pela presença de percussão, ponteios de flauta, breques e batuques. Além de acompanhar artistas como Noel Rosa, o conjunto fez gravações próprias, contando com a participação de Benedito Lacerda como cantor em algumas músicas. 

Como o grupo não vingou, Benedito com toda essa experiência, chamou alguns de seus companheiros de banda  e outros músicos para formar o embrião do Conjunto Regional Benedito Lacerda. Com seu regional, acompanhou nomes gigantes como Carmen Miranda, Luiz Barbosa, Mário Reis, Francisco Alves, Sílvio Caldas, além de atuar como compositor de grandes sucessos.

Além de um regente rigoroso à frente do Regional, Benedito Lacerda se mostrava um hábil arranjador e recriou – sob a métrica do Estácio – composições do final do século XIX, como a polca “Flor de Liz”, de Cícero dos Telégrafos (1880-1910), que em sua versão se transforma no choro “Dinorá”. 

A atuação de Benedito possibilitou uma atualização do repertório, sua divulgação e vitalidade décadas depois, influenciando flautistas de outras gerações, como Altamiro Carrilho.

A parceria com Pixinguinha

Benedito Lacerda e Pixinguinha | Imagem: Reprodução

Na década de 1940, o artista tocou nos cassinos que traziam a música nacional e protagonizou uma série de gravações antológicas em parceria de flauta e saxofone com Pixinguinha, privilegiando o repertório de choro, com arranjos e contrapontos que revolucionaram a instrumentação brasileira e influenciam até hoje os novos talentos musicais.  

Os dois trabalharam juntos em uma série de 17 discos pela RCA Victor e no programa “O Pessoal da Velha Guarda”, produzido e apresentado por Almirante na Rádio Tupi, entre 1942 e 1957. 

Por conta do trabalho que a dupla empreendeu em cerca de 40 gravações, mais as edições de músicas e lançamentos de álbuns de partituras, Benedito Lacerda fez com que a hipoteca da casa de Pixinguinha fosse paga e salvou o mestre de ser despejado em uma época em que – esse que é um dos maiores gênios da história da música brasileira – passava por momentos de dificuldade financeira. 

Em sinal de gratidão e por motivos de contrato, Pixinguinha transformou Benedito em parceiro de sucessos seus como “Sofres Porque Queres”, “Naquele Tempo” e “Um a Zero”. A gente conta toda essa história aqui:

Na interpretação de Benedito Lacerda, nos anos 1940, músicas como “O Urubu e o Gavião”, gravada como uma polca por Pixinguinha na década anterior, valorizam o aspecto rítmico. O andamento, mais lento, favorece o diálogo contrapontístico entre o sax de Pixinguinha e a flauta de Benedito, abrindo espaço à improvisação. Do diálogo entre os dois músicos resulta a incorporação do contraponto como elemento estilístico do choro.

Além disso tudo, Benedito Lacerda foi fundador da União Brasileira de Compositores, dirigente da Sociedade Brasileira de Autores e um compositor de carnaval premiado. É um dos compositores da famosa marchinha “A Jardineira”, de 1938, ao lado de Humberto Porto.

Outros sucessos de Benedito Lacerda

Outros sucessos de Benedito Lacerda são:

  • A Lapa (com Herivelto Martins)
  • Falta um zero no meu Ordenado (com Ary Barroso)
  • Adeus, Mocidade (com Roberto Martins)
  • Coitado do Edgard (com Haroldo Lobo)
  • Despedida de Mangueira (com Aldo Cabral)

O artista faleceu no Rio de Janeiro, vítima de câncer de pulmão, antes de completar 55 anos.

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