RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Conheça os 10 maiores livros de Moacyr ScliarMoacyr Scliar

O escritor brasileiro Moacyr Scliar – considerado um dos mais representativos da literatura brasileira contemporânea – completaria 99 anos hoje. Para homenageá-lo, preparamos uma lista com os seus 10 principais livros para você conhecer o autor.

Tudo sobre Moacyr Scliar

Sétimo ocupante da Cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras, Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), em 23 de março de 1937. Seus pais eram russos judeus e haviam sido vítimas de perseguições em sua terra natal, procurando acolhimento no Brasil em 1904. 

Desde pequeno, Moacyr demonstrou inclinações literárias. O seu próprio nome foi escolhido por sua mãe após a leitura de “Iracema”, de José de Alencar, e significava “filho da dor”. Ele próprio dizia: “os nomes são recados dos pais para os filhos e são como ordens a serem cumpridas para o resto da vida”.

Em 1962, o autor se formou em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e – especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública – exerceu a profissão junto ao Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU).

Foi professor visitante na Brown University (Department of Portuguese and Brazilian Studies) e na Universidade do Texas (Austin), nos Estados Unidos. 

Seu primeiro livro, publicado em 1962, foi “Histórias de Médico em Formação”, contos baseados em sua experiência como estudante. Em 1968, Scliar publicou “O Carnaval dos Animais”, contos, que considera de fato sua primeira obra.

Autor de 74 livros em vários gêneros: romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil,  escreveu, também, para a imprensa. Obras suas foram publicadas em diversos países, sendo traduzido em 12 idiomas e com grande repercussão da crítica. Freqüentemente, o escritor era convidado para conferências e encontros de literatura no país e no exterior.

Moacyr Scliar também teve textos adaptados para o cinema, teatro, TV e rádio, inclusive no exterior.

O escritor brasileiro Moacyr Scliar | Imagem: Divulgação/Site oficial

Foi, durante 15 anos, colunista do jornal “Zero Hora”, onde discorria sobre medicina, literatura e fatos do cotidiano. Foi também colaborador da Folha de S. Paulo desde a década de 70 e assinou uma coluna no caderno “Cotidiano”.

Duas influências são importantes na obra de Scliar: uma é a sua condição de filho de imigrantes, que aparece em obras como “A Guerra no Bom Fim”, “O Exército de um Homem Só”, “O Centauro no Jardim”, “A Estranha Nação de Rafael Mendes”e “A Majestade do Xingu”. 

Outra influência é a sua formação de médico de saúde pública, que lhe permitiu uma vivência com a doença, o sofrimento e a morte, além do conhecimento da realidade brasileira, o que se nota em obras como “A Majestade do Xingu” e “A Paixão Transformada: História da Medicina na Literatura”.

Todas essas vivências deram ao escritor um estilo muito humano, trazendo temas como a realidade social da classe média urbana no Brasil, o socialismo, a medicina e o judaísmo e sendo capaz de introduzir na literatura brasileira a contribuição que outros escritores de origem judaica deram à literatura mundial. 

Moacyr Scliar faleceu em 27 de fevereiro de 2011, em Porto Alegre, aos 73 anos. 

10 principais obras de Moacyr Scliar

1 –  O Exército de um Homem só (1973)

Este livro está definitivamente incorporado à literatura brasileira como uma das peças de ficção mais importantes produzidas na década de 70. Aqui, Scliar cria um personagem definitivo, o Capitão Birobidjan, destemido herói de um novo mundo, fanático pregador de utopias, solitário e esperançoso navegador de um mar de indiferença. 

O exército de um homem só arrebata o leitor através da narrativa ágil, precisa, estruturada sobre cortes no tempo, onde a ficção é envolvida constantemente por uma atmosfera fantástica. O humor amargo de Moacyr Scliar ronda este belo livro. A saga de Birobidjan, o solitário pregador de um mundo melhor, seu louco humanismo, quixotesco, seus sonhos mágicos, fazem deste livro uma leitura emocionante e inesquecível.

2 – O Ciclo das Águas (1976)

Vidas de judeus errantes que convergem, ao final, com sua fé, sua história e mais nada. “O Ciclo das Águas” se fecha como o destino. Esther, seu pai mohel (homem que faz a circuncisão entre os judeus), o enigmático Mêndele, o famigerado Leiser, o apaixonado Rafael, a fiel Morena, o larápio Gatinho. Uma pequena aldeia na Polônia, Paris, Buenos Aires e finalmente Porto Alegre.

Na saga de Esther, a prostituta, perpassam as tragédias e as pequenas alegrias. Mulheres que eram trazidas da Europa sob vários pretextos para, na verdade, se prostituírem nos cabarés da América. A América, sonho dourado de uns, pesadelo de outros. Moacyr Scliar conduz o leitor por mundos longínquos, geralmente duros, cheios de surpresas, aventuras e desventuras. A fé na religião que se dissolve no ciclo das águas. Uma história que mostra faces da história do povo judaico e sua diáspora.

Venceu o Prêmio Érico Veríssimo de Romance. 

3 – O Centauro no Jardim (1980)

No interior do Rio Grande do Sul, na pacata família Tratskovsky, nasce um centauro: um ser metade homem, metade cavalo. Seu nome é Guedali, quarto filho de um casal de imigrantes judeus russos. A partir desse evento fantástico, Moacyr Scliar constrói um romance que se situa entre a fábula e o realismo, evidenciando a dualidade da vida em sociedade, em que é preciso harmonizar individualismo e coletividade. 

A figura do centauro também ilustra a divisão étnica e religiosa dos judeus, um povo perseguido por sua singularidade. Guedali cresce solitário, excluído da sociedade, e o isolamento o leva a cultivar o hábito da leitura. Inteligente e culto, é ele quem conduz a narrativa, feita a partir do dia de seu 38°- aniversário, comemorado entre amigos num restaurante de São Paulo. 

O centauro rememora sua vida desde o nascimento em Quatro Irmãos, passando pela juventude em Porto Alegre, onde se casa com Tita – também centaura – até chegar ao Marrocos, onde o casal vai tentar uma cirurgia que os transforme em pessoas normais. Depois de inúmeros percalços, Guedali acaba voltando para São Paulo e o desenlace desconcertante de suas lembranças completa com profundidade essa narrativa provocadora.

“O Centauro no Jardim” foi escolhido pelo National Yiddish Book Center, dos Estados Unidos, como o único livro brasileiro relacionado entre as 100 melhores obras de temática judaica escritas em todo o mundo nos últimos duzentos anos.

4 – A Estranha Nação de Rafael Mendes (1983)

Ao entregar-se a esta história fascinante, o leitor penetrará no mundo mágico da ficção de Moacyr Scliar. E, pela mão do grande contador de histórias, passeará no tempo, na vertiginosa saga da família Mendes. Do ventre da baleia, onde o profetaJonas é lançado, aos escândalos financeiros e à corrupção do poder no Brasil contemporâneo, sucedem-se admiráveis peripécias, por meio das quais Scliar conta a tumultuada história dos cristãos-novos através dos tempos.

5 – A Orelha de Van Gogh (1989)

Os contos de “A Orelha de Van Gogh” espantam pela simplicidade formal, vizinha da parábola bíblica e do fabulário judaico, só que acrescida de um humor sutil e algo melancólico, do tipo que faz rir à mente a partir da construção de paradoxos muitas vezes cruéis. 

É o caso, por exemplo, do conto que dá nome ao livro, modelo de concisão e ironia, onde uma situação humana quase trágica, tensionada por um detalhe mórbido, produz uma verdadeira “bofetada metafísica” no leitor, para usar expressão muito cara a Julio Cortázar. 

Vencedor do Prêmio Casa de Las Américas (Cuba, 1989), talvez o mais importante no âmbito da América hispano-portuguesa.

6 – Sonhos Tropicais (1992)

Romance sobre Oswaldo Cruz, responsável pela introdução no Brasil do controle científico das epidemias e protagonista da Revolta da Vacina. Um diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade. 

Enquanto aguarda a chegada ao Rio de Janeiro de um pesquisador norte-americano interessado na vida do sanitarista Oswaldo Cruz, um médico desempregado relata e reexamina a vida e as lutas desse pioneiro da medicina experimental no Brasil que, no início do século, em meio a dificuldades de toda ordem, combateu as epidemias de peste bubônica, febre amarela e varíola que grassavam não apenas no interior mas na própria capital federal, e renovou por completo as políticas de saneamento básico no país. 

Venceu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria “Romance”.

Em 2002, “Sonhos Tropicais” foi adaptado para o cinema sob a direção de André Sturm, com Carolina Kasting, Bruno Giordano, Flávio Galvão, Ingra Liberato eCecil Thiré no elenco. O filme relata o combate à febre amarela no Rio de Janeiro, comandado por Oswaldo Cruz, e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Em paralelo, é narrada a história de uma jovem judia polonesa, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas acaba por se prostituir.

7 – Um Sonho no Caroço do Abacate (1995)

Mardoqueu Stern, filho de judeus lituanos, de uma família simples, conhece Carlos no Colégio Padre Juvêncio, frequentado por filhos de fazendeiros e de industriais. Carlos era negro e fora admitido graças ao padre Otero. O pai dele, consultor jurídico de uma grande estatal, tinha sido transferido de Salvador para São Paulo. Era um homem que ganhava bem, e queria colocar o filho num bom colégio, mas encontrava dificuldades, por razões óbvias. 

Entre os dois nasce uma grande amizade. Porém, juntos, enfrentam a discriminação, a injustiça e a incompreensão. A respeito dessa comovente história, Moacyr Scliar descendente de emigrantes judeus russos, comenta: “Minha infância e minha juventude foram marcadas pela sombra do preconceito. (…) Desejo, assim, compartilhar com os jovens leitores uma história sobre esperança, amizade e amor.”.

Em 1998, o romance foi adaptado para o cinema, com o título “Caminho dos Sonhos”, sob a direção de Lucas Amberg. O filme participou dos festivais de Gramado, Miami, Trieste e outros. O filme narra a história do filho de um casal de imigrantes judeus lituanos que se estabelece no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, nos anos 1960. O jovem Mardo (Edward Boggiss) apaixona-se por Ana (Taís Araújo), uma estudante negra. Os jovens encontram no amor a força e a determinação para enfrentarem a discriminação na escola onde estudam e o preconceito entre as famílias. 

8 – A Majestade do Xingu (1997)

A majestade do Xingu é uma história de imigrantes, de russos, de judeus, de comunistas, de índios, de Noel Nutels – judeu e médico sanitarista, além de renomado indigenista – de pequenos comerciantes, de várias formas de ser brasileiro, de pais e mães, de filhos e amigos, de diferentes qualidades de amor e ódio, de cartas que não escrevemos, de lutas contra a dor. 

Dando voz a um dono de armarinho que dispersou afetos entre miudezas empoeiradas, Moacyr Scliar enlaça todas as histórias neste romance. Elas às vezes nos fazem rir, sempre nos confrontam com uma melancolia irremediável e se incorporam à nossa experiência de leitores de forma definitiva.

O livro recebeu o Prêmio José Lins do Rego, da Academia Brasileira de Letras.

9 – A Mulher que Escreveu a Bíblia (1999) 

Relato fictício sobre uma mulher anônima que, há três mil anos, torna-se autora da primeira versão da Bíblia. Narrativa maliciosa que alterna a dicção bíblica com o baixo calão. Ajudada por um ex-historiador que se converteu em “terapeuta de vidas passadas”, uma mulher descobre que, no século X a. C., foi uma das setecentas esposas do rei Salomão – a mais feia de todas, mas a única capaz de ler e escrever. 

Encantado com essa habilidade inusitada, o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade – e, em particular, a do povo judeu – tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso. Com uma linguagem que transita entre a elevada dicção bíblica e o mais baixo calão, a anônima redatora conta sua trajetória, desde o tempo em que não passava de uma personagem anônima, filha de um chefe tribal obscuro.

Vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura, 2000, categoria “Romance“. 

10 – Manual da Paixão Solitária (2008)

O capítulo 38 do Livro do Gênesis conta a estranha história do patriarca Judá, de seus três filhos – Er, Onan e Shelá – e da jovem e bela Tamar, que se envolveu com todos eles. É sobre essa história que se debruça um grupo de especialistas em estudos bíblicos, em seu congresso anual, para tratar de entender um pouco melhor aqueles tempos e costumes que fundaram os nossos. 

Um historiador consagrado e uma antiga aluna, antagonistas desde sempre, são os principais oradores. Seus relatos darão vida a uma história de paixões e desejo que acabará por envolvê-los, também, em sua trama. Moacyr Scliar retoma um relato bíblico para contá-lo a partir de um ponto de vista surpreendente, engraçado e provocador. 

Uma história narrada com imaginação, compaixão e humor, explorando os aspectos tragicômicos dessa trama insólita, associando-a inclusive à conjuntura do mundo em que vivemos e mostrando a permanência dos grandes temas da condição humana.

Vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria “Romance”. 

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS