A constipação intestinal, popularmente conhecida como intestino preso, afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode prejudicar significativamente a qualidade de vida. Embora não seja, na maioria das vezes, uma condição grave, seus impactos vão além do desconforto momentâneo: ela pode causar dor, inchaço, alterações emocionais e até problemas mais sérios, como fissuras e hemorroidas.
Segundo o Dr. Antônio Couceiro Lopes, cirurgião do aparelho digestivo, “a constipação é definida não apenas pela frequência das evacuações, mas também pela consistência das fezes, esforço ao evacuar e sensação de evacuação incompleta”.
O que pode causar o intestino preso
Entre os principais fatores estão a alimentação pobre em fibras, ingestão insuficiente de líquidos, sedentarismo e até o estresse emocional. “O intestino é extremamente sensível às emoções. Ansiedade, mudanças na rotina e uso de medicamentos podem alterar completamente o seu funcionamento”, explica o médico.
Além disso, situações como viagens, confinamento e envelhecimento também favorecem a constipação. Medicamentos como opioides, antidepressivos e antiácidos à base de alumínio e ferro estão entre os que mais causam impacto negativo no funcionamento intestinal.
Sinais de alerta e diagnóstico
De acordo com os critérios internacionais de Roma IV, utilizados para o diagnóstico de constipação funcional, o paciente deve apresentar pelo menos dois dos seguintes sintomas por três meses consecutivos:
• menos de três evacuações por semana
• fezes endurecidas ou em formato de bolinhas pequenas
• esforço excessivo
• sensação de evacuação incompleta
• sensação de obstrução anorretal
• necessidade de manobras com os dedos para evacuar
Como prevenir e aliviar os sintomas
A principal estratégia está em mudanças de hábitos. “O consumo de fibras, a hidratação e a prática de atividade física são pilares para a prevenção e o tratamento da constipação”, orienta Dr. Couceiro Lopes.

Ele recomenda:
• Fibras: incluir frutas (mamão, ameixa, laranja com bagaço), legumes, leguminosas e cereais integrais.
• Água: beber pelo menos dois litros por dia, além de sucos naturais e chás.
• Exercícios físicos: caminhar, pedalar e até praticar ioga ajudam a estimular os movimentos intestinais.
• Rotina intestinal: criar o hábito de ir ao banheiro no mesmo horário e não ignorar a vontade de evacuar também favorece a regularidade.
Quando é necessário tratamento médico
Em casos persistentes, pode ser necessário o uso de laxantes, biofeedback ou fisioterapia do assoalho pélvico. E, em situações extremas, quando há inércia colônica grave, megacólon ou obstrução funcional do reto, a cirurgia pode ser indicada.
“Cada caso é único. Por isso, o acompanhamento com um profissional é fundamental para evitar automedicação ou agravamento do quadro”, reforça o especialista.
Conclusão
A constipação intestinal é um problema comum e muitas vezes negligenciado. Com pequenas mudanças no estilo de vida e, quando necessário, orientação médica adequada, é possível manter o intestino saudável e melhorar a qualidade de vida de forma significativa.



