Diabetes e pressão alta lideram danos aos rins, e obesidade cresce como ameaça silenciosa

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Os rins trabalham diariamente para filtrar o sangue, eliminar toxinas e ajudar a regular a pressão arterial, hormônios e o equilíbrio de líquidos e minerais no corpo. Mesmo com esse papel central, a doença renal crônica costuma evoluir em silêncio — e, quando os sinais aparecem, parte da função renal já pode ter sido perdida.

Estimativas apontam que cerca de 10% da população adulta tenha algum grau de doença renal crônica, muitas vezes sem saber. Para a nefrologista Carlucci Ventura, o grande desafio é justamente o diagnóstico tardio. “A doença renal crônica costuma não dar sintomas nas fases iniciais, e é aí que o rastreamento em pessoas de risco se torna fundamental”, afirma a médica.

Entre os fatores mais associados ao problema, dois são conhecidos há décadas: diabetes e hipertensão arterial. Nos últimos anos, porém, um terceiro elemento vem ganhando espaço no debate médico por acelerar o risco de lesão renal: a obesidade, que pode atuar tanto de forma indireta quanto diretamente sobre os rins.

O que diabetes e hipertensão fazem com os rins

O diabetes segue como a principal causa de doença renal crônica em muitos países. Níveis elevados de glicose no sangue, mantidos por longos períodos, podem danificar os pequenos vasos que fazem parte do sistema de filtragem dos rins, comprometendo a função de forma lenta e progressiva.

Como esse processo é silencioso, os primeiros alertas costumam aparecer em exames. Um sinal inicial é a presença de albumina na urina — uma proteína que normalmente não deveria ser eliminada em quantidades relevantes. Com a progressão, também podem surgir alterações no sangue, como aumento da creatinina e queda da taxa de filtração glomerular, que indica a eficiência do rim em “limpar” o organismo.

A nefrologista destaca que o acompanhamento deve acontecer mesmo quando a pessoa se sente bem. “Quem tem diabetes precisa monitorar a saúde dos rins regularmente, porque as alterações podem ser detectadas antes de qualquer sintoma”, explica a nefrologista.

No caso da hipertensão arterial, o caminho também é perigoso. A pressão alta pode lesar os vasos sanguíneos renais ao longo do tempo, reduzindo a capacidade de filtração. Mas existe um agravante: quando os rins já estão comprometidos, eles podem contribuir para aumentar ainda mais a pressão, formando um ciclo difícil de quebrar.

Essa “via de mão dupla” ajuda a entender por que alguns pacientes passam a ter hipertensão de difícil controle quando a doença renal já se instalou. Manter a pressão dentro das metas recomendadas é uma das medidas mais importantes para retardar a progressão da perda de função renal e reduzir complicações, especialmente cardiovasculares.

Foto: Freepik.

Obesidade: por que o risco vai além do diabetes e da pressão alta

Durante muito tempo, a obesidade foi tratada principalmente como um risco indireto, por aumentar a chance de diabetes e hipertensão. Hoje, o entendimento é mais amplo: o excesso de peso também pode afetar os rins de maneira direta.

Segundo Ventura, o organismo passa a exigir mais dos rins quando há excesso de peso, além de favorecer inflamação e alterações estruturais que aceleram a perda de função. “A obesidade aumenta a sobrecarga de trabalho renal e pode contribuir para alterações que prejudicam o funcionamento dos rins”, alerta a médica.

O avanço da obesidade em diferentes faixas etárias preocupa especialistas porque pode antecipar o início do comprometimento renal. Quanto mais cedo a função dos rins começa a cair, maior tende a ser o tempo de exposição ao risco de insuficiência renal e de problemas cardiovasculares ao longo da vida.

Prevenção e diagnóstico precoce ainda são as melhores armas

Apesar do cenário, há margem real para reduzir casos e evitar desfechos graves. Mudanças de estilo de vida e controle adequado dos fatores de risco estão no centro da prevenção. Além disso, os avanços no tratamento do diabetes, da hipertensão e da própria doença renal ampliaram as possibilidades de proteger os rins quando o problema é identificado cedo.

Entre as medidas que mais ajudam estão:

  • · controlar a glicemia em pessoas com diabetes;
  • · manter a pressão arterial sob controle;
  • · buscar um peso saudável;
  • · praticar atividade física com regularidade;
  • · adotar alimentação equilibrada;
  • · fazer exames periódicos, principalmente em grupos de risco.

Para a nefrologista, o recado principal é que o silêncio da doença não pode ser confundido com ausência de risco. “Prevenção e diagnóstico precoce são as ferramentas mais importantes para preservar a função renal e reduzir a chance de diálise ou transplante”, destaca a nefrologista.

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