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Diagnóstico de morte encefálica exige cautela e segue protocolo rigoroso

O neurologista Marcelo Caldeiraro, da USP e da Associação Médica Brasileira, conversou com Heródoto Barbeiro no Jornal Novabrasil e fez um alerta: falar que alguém “teve morte encefálica” antes da conclusão dos testes é precipitado. Segundo ele, assim como suspeita-se de pneumonia antes da confirmação por exames, o mesmo vale para esse tipo de morte — que, uma vez confirmada, é irreversível.

No caso recente do jogador Pedro Severino, do Red Bull Bragantino, ele não chegou a ter a morte encefálica declarada oficialmente. “Durante o processo, ele apresentou reflexo de tosse. Ou seja, não preencheu os critérios necessários”, explica o médico.

Protocolos brasileiros estão entre os mais seguros do mundo

Dr. Marcelo destaca que o Brasil adota um dos protocolos mais conservadores e confiáveis do mundo para confirmação de morte encefálica. “Nenhum paciente teve esse diagnóstico revertido até hoje no país”, garante. Ele reforça que nenhum órgão é retirado, nenhuma cremação é feita, nenhum atestado de óbito é emitido antes da conclusão completa do protocolo.

Termo correto é morte encefálica, e não cerebral

Outro ponto importante é o uso do termo técnico. “A morte encefálica envolve o cérebro e o tronco encefálico, por isso o termo correto não é ‘morte cerebral’, mas sim ‘morte encefálica’”, esclarece. O especialista agradeceu o cuidado da reportagem em usar a expressão correta e reforçou a importância de a imprensa se apoiar na medicina para informar com precisão.

A entrevista reforça um recado fundamental: diante de suspeitas médicas, o diagnóstico exige tempo, rigor e responsabilidade — e deve sempre seguir critérios científicos bem estabelecidos.

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