A disfunção erétil (DE) é um problema que afeta até metade dos homens acima dos 40 anos e pode ser sinal de algo mais grave. “O pênis é um órgão sentinela. Quando há dificuldade de ereção, é possível que as artérias do coração também estejam comprometidas”, alerta o urologista Dr. Mario F. Chammas Jr., com doutorado e pós-doutorado pela USP.
Estudos recentes mostram que homens com DE têm 50% mais risco de sofrer infarto nos dez anos seguintes, segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia. Isso reforça a necessidade de um olhar multidisciplinar — indo além da sexualidade, para uma avaliação cardiovascular completa.
Ondas de choque e regeneração vascular
Nos últimos anos, terapias inovadoras começaram a ganhar destaque. Uma delas é o uso de ondas de choque de baixa intensidade, aplicadas diretamente no pênis com o objetivo de estimular a formação de novos vasos sanguíneos. O tratamento é promissor, sobretudo para homens com doenças que afetam a circulação, como diabetes e hipertensão.
Outra frente de pesquisa envolve terapias regenerativas, como a aplicação de células-tronco extraídas do próprio paciente ou o uso do plasma rico em plaquetas (PRP), que visam restaurar os tecidos penianos danificados. Embora os resultados iniciais sejam positivos, essas abordagens ainda são consideradas experimentais e não têm aprovação definitiva da Anvisa ou do FDA.
Novas drogas e caminhos farmacológicos
Enquanto os tratamentos com Viagra® e Cialis® seguem como os mais utilizados, novas opções estão em desenvolvimento. A bremelanotida, por exemplo, inicialmente testada para desejo sexual hipoativo em mulheres, mostra potencial em homens. Já a rinociguat, voltada para hipertensão pulmonar, surge como alternativa para quem não responde bem aos medicamentos clássicos.
“Estamos diante de um futuro com terapias mais personalizadas, que buscam tratar a causa da disfunção e não apenas os sintomas”, afirma o Dr. Chammas Jr.

Atenção aos riscos e promessas não comprovadas
Apesar do avanço científico, muitos desses tratamentos ainda não têm respaldo definitivo. Clínicas oferecem soluções como PRP sem embasamento técnico sólido, o que exige cautela. “O paciente deve desconfiar de promessas milagrosas e procurar sempre profissionais qualificados”, orienta o médico.
Enquanto as novidades seguem em estudo, hábitos saudáveis continuam sendo a base para a saúde sexual: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle do estresse e acompanhamento médico são fundamentais.
A ciência avança, e o futuro do tratamento da disfunção erétil aponta para uma abordagem mais regenerativa, segura e eficaz — mas o caminho exige responsabilidade, orientação especializada e paciência até que os protocolos estejam bem definidos.



