Uma doença que atinge principalmente pessoas acima dos 60 anos tem avançado com o envelhecimento da população e já está entre as principais causas de perda visual nessa faixa etária. Trata-se da degeneração da região central da retina, responsável por enxergar detalhes, ler e reconhecer rostos.
Segundo a oftalmologista Tayuane Ferreira Pinto, a condição “afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura, reconhecimento de rostos e tarefas de precisão”. O risco, explica, é que ela pode progredir sem chamar atenção no início e, quando os sinais aparecem, parte do dano pode ser irreversível. “A doença pode avançar de forma silenciosa até comprometer de maneira irreversível a visão central”, afirma.
Apesar de não causar cegueira total, o impacto no dia a dia costuma ser grande, porque a pessoa perde justamente o campo visual necessário para atividades como leitura e direção. Como resume a médica, “embora não leve à cegueira total, a DMRI limita profundamente a autonomia e a qualidade de vida do idoso”.
Os primeiros sinais e quem tem mais risco
A doença pode se manifestar de forma discreta: dificuldade para ler letras pequenas, necessidade de mais luz para enxergar e a sensação de que linhas retas estão onduladas ou distorcidas. Em quadros mais avançados, pode surgir uma mancha escura ou borrada bem no centro da visão, dificultando ler, dirigir e reconhecer pessoas.
O principal fator de risco é o envelhecimento natural da retina, mas outros elementos podem acelerar o problema, como tabagismo, histórico familiar, obesidade, hipertensão e exposição excessiva ao sol sem proteção adequada.
A recomendação é não esperar a perda visual ficar evidente para procurar ajuda. Como destaca a oftalmologista, “em ambas as versões, o diagnóstico precoce é decisivo para prevenir danos permanentes”.

Como é o diagnóstico e o que a medicina já consegue fazer
O exame oftalmológico é o caminho para detectar alterações precoces. Testes como o mapeamento de retina e a tomografia de coerência óptica (OCT) conseguem identificar mudanças antes mesmo de o paciente perceber sintomas. Em pessoas com fatores de risco ou histórico familiar, a avaliação anual costuma ser indicada a partir dos 55 anos.
A doença tem duas formas principais, com comportamentos diferentes. A mais comum é a forma seca, que progride lentamente. A forma úmida é mais agressiva e pode levar a perda visual rápida por causa do crescimento de vasos anormais sob a retina, que vazam líquido ou sangue.
Embora ainda não exista cura, os tratamentos atuais ajudam a controlar a progressão e preservar a visão em muitos casos. Na forma úmida, medicamentos aplicados diretamente no olho mudaram o cenário ao reduzir o risco de perda visual severa, por bloquearem os vasos anormais e diminuírem o vazamento. Já na forma seca, as medidas incluem suplementação específica de antioxidantes, controle de fatores de risco e acompanhamento frequente.
Mudanças de hábito também entram no pacote de cuidados: estudos apontam benefícios de uma alimentação rica em vegetais verde-escuros, peixes e fontes de ômega-3 para a saúde da retina. E, entre as medidas mais importantes, está parar de fumar, apontada como fundamental para retardar a progressão.
No fim, a mensagem é clara: com atenção aos sinais, consultas regulares e acesso às terapias disponíveis, é possível preservar a visão funcional por muitos anos e manter a independência na maturidade.



