Doença renal crônica avança entre jovens e falta de informação sobre diabetes preocupa

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A doença renal crônica, problema que pode evoluir por anos sem dar sinais, está aparecendo cada vez mais cedo, impulsionada por fatores como diabetes, hipertensão e obesidade. Para a nefrologista Carlucci Ventura, a combinação entre aumento de doenças metabólicas em faixas etárias mais jovens e baixa percepção de risco cria um cenário preocupante.

Um levantamento recente do Datafolha reforça essa lacuna de conhecimento: quase metade das pessoas entre 16 e 34 anos diz não saber que há uma relação direta entre diabetes e doença renal. O dado chama atenção porque justamente esses fatores de risco têm se tornado mais comuns antes dos 40 anos.

Hoje, a doença renal crônica atinge cerca de 10% da população mundial e cresce em ritmo acelerado. Parte é explicada pelo envelhecimento da população, mas o avanço de condições como hipertensão e diabetes tem ampliado o número de casos também entre adultos mais jovens.

Segundo a médica, o diabetes já é uma das principais causas de doença renal crônica no Brasil e no mundo. “A glicose alta por muito tempo danifica os pequenos vasos dos rins e reduz, aos poucos, a capacidade de filtração”, explica Carlucci. A hipertensão, frequentemente associada, pode acelerar esse desgaste.

Sem diagnóstico e tratamento adequados, o quadro pode evoluir para insuficiência renal avançada, quando a pessoa passa a depender de hemodiálise ou de transplante para sobreviver.

Por que a doença pode passar despercebida

Um dos maiores desafios é que a doença renal crônica costuma ser silenciosa. A pessoa pode se sentir bem enquanto a função dos rins diminui lentamente. Quando aparecem sinais como inchaço, fadiga ou alterações na urina, a perda de função renal muitas vezes já é importante.

Por isso, especialistas recomendam que pessoas com diabetes, hipertensão ou obesidade façam acompanhamento periódico, mesmo sem sintomas. “O problema é que, quando o paciente percebe algo, às vezes já perdemos tempo precioso”, alerta a nefrologista.

Entre os exames considerados simples e amplamente disponíveis estão:

  • · dosagem de creatinina no sangue, com estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG-e);
  • · pesquisa de albumina na urina, que pode indicar lesão renal precoce.
Foto: Freepik.

Estilo de vida e casos mais cedo

O aumento de diagnósticos em idades mais baixas tem sido associado a mudanças no estilo de vida e ao crescimento de doenças metabólicas. Entram nessa lista o avanço do diabetes tipo 2, obesidade, sedentarismo, hipertensão precoce e dietas com excesso de ultraprocessados e sódio.

Quando o diabetes se instala entre 30 e 40 anos, o organismo pode ficar exposto por décadas aos efeitos da hiperglicemia e da síndrome metabólica, elevando o risco de complicações ao longo do tempo.

A baixa procura por avaliação preventiva também pesa. A mesma pesquisa do Datafolha indica que quase metade dos jovens nunca conversou com um profissional de saúde sobre como evitar complicações do diabetes e da hipertensão, justamente duas das principais causas de insuficiência renal.

O que ajuda a prevenir e desacelerar a progressão

Mesmo quando há lesão renal inicial, intervenções precoces podem reduzir a velocidade de progressão da doença. Entre as medidas mais citadas estão o controle adequado da glicose e da pressão arterial, além de mudanças no estilo de vida.

Na prática, isso inclui parar de fumar, reduzir o sal, manter peso adequado, praticar atividade física regular, adotar alimentação equilibrada e manter acompanhamento médico. “Quando o diabetes começa cedo, a proteção dos rins também precisa começar cedo”, destaca Carlucci.

Além das medidas comportamentais, avanços recentes trouxeram medicamentos com potencial de proteção simultânea para rins e coração, especialmente em pessoas com diabetes e maior risco cardiovascular — o que reforça a importância do diagnóstico e do seguimento contínuo.

Apesar de ser um problema atual e em expansão, a doença renal crônica tem um ponto decisivo: em muitos casos, a progressão pode ser adiada — ou até evitada — quando o risco é identificado e tratado antes das fases mais graves.

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