Dois de fevereiro é celebrado no Brasil o Dia de Iemanjá.
Considerada a mãe de todos os orixás, Iemanjá é também filha de Olokun, Rei dos Oceanos. Divindade da fertilidade, originalmente associada aos rios e desembocaduras, a Rainha do Mar é protetora dos pescadores. Acredita-se que é ela quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar.
O seu nome tem origem nos termos do idioma Iorubá (língua nigero-congolesa) “Yèyé omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são como peixes”.
No Brasil, Iemanjá recebe diferentes nomes: Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar e Sereia do Mar.
Todo ano, nessa data, acontece em Salvador a maior festa popular dedicada à Iemanjá. Milhares de pessoas trajadas de branco fazem uma procissão até ao templo de Iemanjá, localizado na praia do Rio Vermelho, onde deixam os presentes que vão encher os barcos que os levam para o mar.
São muitas as canções da música popular brasileira dedicadas a homenagear Iemanjá. O baiano Dorival Caymmi, por exemplo, era um profundo devoto da Rainha do Mar. Ele compunha como ninguém sobre os hábitos, costumes e tradições da sua terra, a Bahia, e do povo baiano, tendo forte influência da música e da cultura negra, reforçando a ancestralidade africana.
Caymmi também é muito conhecido sobre suas canções praieiras e sobre o mar. Entre as músicas que ele compôs para homenagear Iemanjá, estão sucessos como: “Rainha do Mar” (1939); “É Doce Morrer no Mar” (1943); “Quem Vem Pra Beira do Mar” (1954); e – especialmente – “Dois de Fevereiro”.
“Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra salvar Yemanjá”
Essa última – lançada no disco “Caymmi e o Mar”, de 1957 – fala exatamente sobre o dia da festa de Iemanjá, um dos rituais mais importantes da cultura baiana. A música destaca a mistura de elementos do candomblé e do catolicismo popular, refletindo a riqueza das tradições religiosas do Brasil.
A letra descreve o ritual de enviar oferendas e a expectativa pela resposta da Rainha do Mar, revelando a fé e a esperança dos devotos, que confiam no poder da divindade e na força das tradições.
Depois de Caymmi, “Dois de Fevereiro” foi gravada com sucessos por outros grandes nomes da música popular brasileira e, hoje – para homenagear Iemanjá – nós trouxemos oito interpretações diferentes – e belíssimas – dessa canção para vocês colocarem para tocar neste Dois de Fevereiro.
E salve Iemanjá, a Rainha do Mar!
1 – Dorival Caymmi
A primeira é a gravação original, de Dorival Caymmi, no seu álbum “Caymmi e o Mar”, de 1957.
2 – Maria Bethânia
Também devota de Iemanjá, 12 anos depois, em 1969 – a agora vencedora do Grammy Awards! – Maria Bethânia gravou a canção em seu álbum “Maria Bethânia”.
3 – Gal Costa
Em 1976, foi a vez de outra baiana – Gal Costa – celebrar Iemanjá no seu álbum “Gal Canta Caymmi”.
4 – Nana Caymmi
Em 1992, os filhos de Dorival Caymmi – Nana, Dori e Danilo – se apresentaram junto com o pai em Montreux, na Suíça. A apresentação gerou um álbum chamado “Família Caymmi em Montreux”. No show, é Nana Caymmi quem empresta a voz para a canção “Dois de Fevereiro”.
5 – Baby do Brasil
Em 1994 foi lançado o álbum “Songbook Dorival Caymmi”, com diversos artistas da MPB interpretando canções do baiano, como Tom Jobim, Moraes Moreira e Leila Pinheiro. Quem interpreta “Dois de Fevereiro” é Baby do Brasil, na época, ainda Baby Consuelo.
6 – Olívia Hime
Em 2002, foi a vez da cantora Olívia Hime gravar a canção em seu álbum “Mar de Algodão – As Marinhas de Caymmi”.
7 – Rosa Passos
Rosa Passos registrou sua versão de “Dois de Fevereiro” no álbum “Eu e Meu Coração”, de 2003.
8 – Nana, Dori e Danilo Caymmi
No ano seguinte, 2004, os filhos de Dorival Caymmi se reuniram novamente em um álbum em homenagem ao pai – “Para Caymmi: de Nana, Dori e Danilo – 90 anos”. Desta vez, os três cantam “Dois de Fevereiro”, junto com outro sucesso do baiano: “365 Igrejas”.



