É certeza que você conhece o Neguinho da Beija-Flor por sua atuação memorável como um dos pilares da escola de samba carioca Beija-Flor de Nilópolis.
Mas duvido que muita gente saiba que ele também é o autor dessas duas pérolas da nossa música:
Sim! Foi Neguinho da Beija-Flor que compôs a canção que virou hino na voz de Bezerra da Silva: “Malandro é Malandro e Mané é Mané”, lá em 1980, quando o próprio Neguinho lançou a canção em seu álbum “Vida no Peito”.
Vinte anos depois, em 2000, o saudoso sambista Bezerra da Silva gravou a canção com muito sucesso e ela virou um dos seus maiores hits, inclusive dando nome ao álbum de Bezerra. Foi uma das últimas canções a fazerem sucesso na voz do sambista pernambucano, que faleceu em 2005, aos 77 anos.
Depois, “Malandro é Malandro e Mané é Mané” foi regravada por outros grandes nomes da nossa música, como Diogo Nogueira e Marcelo D2.
Agora, você sabia que também foi Neguinho da Beija-Flor que compôs a música que virou um dos maiores clássicos das torcidas de futebol brasileiras?
Lançada pelo sambista em um compacto de 1979, “O Campeão (Meu Time)“, foi originalmente composta por encomenda para um amigo vascaíno que queria fundar uma torcida organizada para o Vasco. Neguinho fez a música, mas a torcida não foi aprovada e acabou não sendo fundada.
Então, o artista a gravou, com muito sucesso e – a partir desse momento – a canção já virou hino de dez em cada dez torcidas brasileiras, sempre adaptadas ao seu time do coração!
“Domingo, eu vou pro maracanã
Vou torcer pro time que sou fã
Vou levar foguetes e bandeira
Não vai ser de brincadeira
Ele vai ser campeão”
Mais sobre Neguinho da Beija-Flor

Nascido Luiz Antônio Feliciano Marcondes, em Nova Iguaçu, 29 de junho de 1949 – há exatos 77 anos – o sambista, puxador de samba, intérprete musical, cantor e compositor brasileiro Neguinho da Beija-Flor foi intérprete oficial da escola de samba carioca Beija-Flor de Nilópolis por quase 50 anos e é um dos seus principais representantes.
Filho de músico, teve uma infância muito pobre e ganhou um concurso de cantores mirins, aos dez anos de idade, interpretando um samba de Jamelão. Como prêmio, levou para a casa uma lata de goiabada.
Dono de uma voz potente e afinada, estreou como puxador de samba no bloco Leão de Iguaçu, em 1970. Rejeitado nas alas de compositores do Salgueiro (sua escola preferida na juventude), Império Serrano, Portela e Mangueira, o jovem sambista chamou a atenção de Cabana (Silvestre David da Silva), compositor dos primórdios da Beija-Flor de Nilópolis, que o convidou para se juntar aos músicos da escola em 1975, quando ganhou o nome artístico de Neguinho da Beija-Flor.
“Neste ano, o Anísio (Abraão David, patrono da Beija-Flor) pediu ao Cabana, compositor histórico da escola, que me chamasse para substituir o Bira Quininho, que era o puxador e tinha falecido recentemente. Naquele ano, disputei o samba e venci. Assim, estreei no estúdio cantando meu samba e a Beija-Flor ainda foi campeã pela primeira vez com “Sonhar com Rei Dá Leão“.”, contou Neguinho da Beija-flor, em entrevista ao site da UOL.
Na Beija-Flor, ele criou o bordão “Olha a Beija-Flor aí, gente!” (um dos gritos de guerra mais famosos do carnaval) e continuou no cargo até 2025, quando se aposentou como intérprete e puxador.
A escola faz parte da vida de Neguinho de tal forma que ele incorporou o nome artístico à sua certidão de nascimento, em 2007: “Tenho mais tempo de Neguinho da Beija-Flor, que de Luiz Antônio. O Luiz só traz despesa e dívidas. Além disso, eu não conheço ninguém que me chame de Luiz. Sou conhecido no mundo inteiro pelo nome de Neguinho da Beija-Flor.”.
Além disso, ele foi o único dos intérpretes de todas as escolas a cantar de graça. Segundo ele: “se alguém tivesse que pagar, seria eu à Beija-Flor. Tudo que consegui na vida devo à escola. Por ela, sempre cantei de graça e sempre vou cantar.“
Neguinho da Beija-flor lançou o seu primeiro disco em 1980, “Vida no Peito”, e seguiu lançando álbuns ao longo dos anos, sendo o mais recente “Empretecendo – Neguinho da Beija-Flor e Xande De Pilares“, em 2025. São mais de 40 álbuns ao longo da carreira.
Neguinho ganhou por diversas vezes os prêmios Tamborim de Ouro eEstandarte de Ouro, referentes ao Carnaval. O artista também ganhou o prêmio Sharp de 1991 na categoria “Melhor Cantor de Samba”.
Em 2012, foi um dos 10 indicados ao “Prêmio Extra” da Prefeitura do Rio, como “maior personalidade dos 80 anos de desfile no Carnaval”.

