Em consultórios de neurocirurgia, cresce o número de jovens de 20 e 30 anos com dor lombar, travamentos e sinais de desgaste nos discos da coluna — problemas que antes eram mais frequentes após os 40. “A rotina moderna transformou a forma como usamos o corpo – e a coluna está pagando o preço”, afirma o neurocirurgião Dr. Cesar Cimonari de Almeida.
O excesso de tempo diante do celular e do computador, somado ao sedentarismo e à postura inadequada, cria o cenário perfeito para o surgimento precoce de dores e lesões. “A combinação de sedentarismo, uso prolongado de telas e má postura criou um ambiente ideal para o surgimento precoce de doenças da coluna”, diz.
Como o uso de telas pesa na coluna
Ao inclinar a cabeça para olhar o celular, a região cervical pode receber uma carga que ultrapassa 20 kg, dependendo do ângulo — repetida por horas todos os dias. Já a lombar sofre com longos períodos sentado, muitas vezes sem apoio adequado, situação comum no home office sem ergonomia.
“Embora as evidências científicas ainda sejam controversas em atribuir apenas a postura como causa em alguns desses casos, é frequente que indivíduos expostos a essas inadequações posturais sejam sedentários, ou mesmo que pratiquem atividade física, não a distribuam adequadamente ao longo do dia”, pondera o médico. Essa combinação enfraquece a musculatura estabilizadora e acelera a degeneração dos discos, o que pode levar a protusões e hérnias capazes de comprimir raízes nervosas — com dor persistente, formigamento e perda de força.
Sinais de alerta e diagnóstico
Os sintomas tendem a evoluir aos poucos: dor que piora ao ficar sentado, rigidez ao acordar e desconforto ao levantar peso ou caminhar longas distâncias. Em estágios mais avançados, a dor pode irradiar para glúteos, pernas ou pés, acompanhada de queimação, dormência ou sensação de choque elétrico — sinais clássicos de compressão nervosa.
“Quando esses sintomas se tornam frequentes, a avaliação neurocirúrgica é fundamental”, orienta Almeida. Exames como a ressonância magnética ajudam a identificar alterações nos discos, a presença de hérnias e o grau de compressão das estruturas neurológicas. “O diagnóstico precoce evita que quadros simples evoluam para dores crônicas ou déficits motores”, acrescenta.

Como se proteger e tratar
Prevenção é palavra-chave. “O desafio da era digital não é abandonar a tecnologia, mas equilibrar seu uso para que ela não comprometa a saúde da coluna”, resume o neurocirurgião. Algumas medidas simples fazem diferença no dia a dia:
- · ajustar telas à altura dos olhos
- · fazer pausas a cada 45 minutos
- · fortalecer a musculatura do core
- · manter atividade física regular
- · evitar longos períodos sentado
- · priorizar ergonomia no trabalho e no estudo
Quando necessário, o tratamento pode incluir fisioterapia, analgesia e reabilitação funcional, além de procedimentos minimamente invasivos em casos selecionados. “A cirurgia é reservada para pacientes com dor refratária, perda de força ou compressão nervosa significativa”, explica. As técnicas atuais permitem recuperação mais rápida e bons resultados.
O especialista faz um alerta contra atalhos e modismos. “Em um assunto tão comum e frequente como uma dor nas costas, é comum que se recorra a soluções populares e midiáticas que podem agravar o problema”, afirma. “A orientação profissional no momento certo pode ser a diferença entre uma vida saudável sem dor e a necessidade de cirurgias e procedimentos recorrentes.”


