Aquela dor nas costas depois do treino pode até ser passageira, mas nem sempre é inofensiva. Quando o incômodo se repete, aumenta de intensidade ou começa a limitar movimentos, pode indicar que a coluna sofreu uma lesão estrutural. Segundo o neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida, “dores nas costas após o treino são comuns e, na maioria das vezes, passageiras”, mas o quadro muda quando a dor vira rotina e deixa de ser apenas uma contratura.
O especialista relata que esse cenário tem sido cada vez mais comum fora do esporte profissional. “Cada vez mais, atletas amadores chegam aos consultórios de neurocirurgia com problemas semelhantes aos observados em esportistas profissionais”, afirma.
O que pode causar lesões na coluna durante o esporte
As lesões podem aparecer de forma súbita, após um trauma, ou se instalar aos poucos, por repetição. De acordo com o médico, elas acontecem “tanto por traumas agudos quanto por microtraumas repetitivos”. Entre os gatilhos mais frequentes estão impacto, rotações em excesso, carga acima do adequado e execução errada dos exercícios.
Atividades como corrida, cross training, futebol, tênis, ciclismo e musculação podem sobrecarregar a coluna quando são feitas sem orientação, gerando estresse contínuo em discos, articulações e ligamentos. Com o tempo, esse desgaste pode evoluir para problemas como hérnia de disco, inflamações crônicas e até fraturas por estresse.
Um risco adicional é insistir no treino mesmo com dor. O artigo chama atenção para esse comportamento: “muitos atletas continuam treinando mesmo com dor, acreditando que o sintoma faz parte da rotina esportiva”, o que “aumenta o risco de agravamento da lesão”.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
O primeiro aviso costuma ser a dor localizada que não melhora. “Dor localizada na coluna que persiste por semanas é o primeiro sinal de alerta”, destaca o especialista. Quando o incômodo se espalha para braços ou pernas e vem acompanhado de formigamento, dormência ou perda de força, o texto aponta que “o comprometimento neurológico deve ser considerado”.
Outra pista importante aparece no desempenho: queda de rendimento, rigidez fora do normal e dificuldade para executar movimentos que antes eram simples podem indicar que a coluna não está respondendo bem à rotina de treinos. O alerta do médico é direto: “ignorar esses sinais pode levar a afastamentos prolongados do esporte e, em casos mais graves, a sequelas permanentes”.

Prevenção e quando a cirurgia entra em cena
Para reduzir o risco de lesões, o artigo recomenda medidas como orientação adequada, fortalecimento do core, aumento gradual de carga e atenção à técnica. Também reforça que o acompanhamento de profissionais de educação física e fisioterapeutas ajuda a proteger a coluna.
Se a dor não passa, a recomendação é procurar avaliação médica. O tratamento tende a começar com medidas conservadoras, como fisioterapia, controle da inflamação e ajustes no treino. A neurocirurgia, segundo o texto, é indicada “quando há falha do tratamento clínico ou sinais de compressão nervosa progressiva”.
O médico ressalta que, com abordagens atuais, a recuperação pode ser mais rápida em casos bem selecionados. “Com técnicas modernas e menos invasivas, muitos atletas conseguem se recuperar mais rapidamente e voltar à prática esportiva com segurança”, desde que respeitem a reabilitação e as orientações.
Ao final, o recado é claro: “dor não deve ser normalizada no esporte”. Para o especialista, ouvir o corpo, investigar sintomas persistentes e tratar cedo é o que protege não apenas o desempenho, mas a saúde da coluna no longo prazo.



