Dor ao subir escadas, estalos e sensação de areia no joelho são queixas frequentes em quem corre, agacha, usa muito a escada ou passa horas sentado. “Muita gente tem algum grau de desgaste ou amolecimento da cartilagem atrás da patela”, diz a ortopedista Camila Cohen Kaleka. “É tão comum quanto arranhar a sola do tênis com o uso.”
A especialista reforça que, na maioria dos casos, não se trata de algo grave. “O ponto chave é: isso não significa doença grave.” Segundo ela, muitas vezes a dor vem de um descompasso nos movimentos. “A cartilagem não causa dor, mas quando a mecânica do joelho fica desajeitada, ela se irrita e manda aquele recado em forma de desconforto.”
O que é e por que acontece
Conhecida popularmente como desgaste da cartilagem atrás da patela, a condromalácia é uma das causas mais comuns de dor na frente do joelho, especialmente em jovens ativos e mulheres. “A condromalácia patelar é uma das causas mais comuns de dor na parte anterior do joelho, especialmente entre jovens ativos e mulheres”, afirma Kaleka.
O problema geralmente está ligado ao desalinhamento da patela, desequilíbrio muscular entre coxa e quadril, sobrepeso, traumas e excesso de atividades de impacto ou mal executadas. “Entre as principais causas estão o desalinhamento da patela, o desequilíbrio muscular entre coxa e quadril, o sobrepeso, traumas diretos e o excesso de atividades de impacto, como corrida ou agachamentos mal executados.” Estimativas apontam que até 40% de quem pratica esportes recreativos terá, em algum momento, dor no joelho relacionada à síndrome patelofemoral, onde se encaixa a condromalácia.
Sinais que pedem atenção
“O principal sinal é a dor na parte da frente do joelho, que piora ao subir ou descer escadas, agachar ou permanecer muito tempo sentado com o joelho dobrado, o chamado ‘sinal do cinema’.” Estalos, sensação de crepitação e pequenos inchaços também podem aparecer. “Alguns sinais devem ser investigados, mas quase nunca indicam um desgaste acentuado ou são sinal da gravidade.”
Ignorar os sintomas pode agravar o processo e levar a inflamações recorrentes, limitando atividades simples como caminhar longas distâncias ou praticar exercícios leves. Quanto antes vier o ajuste de movimento e o reforço muscular, melhor a evolução.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é clínico, com exame físico e histórico. A ressonância pode ajudar a avaliar a cartilagem, mas não é o ponto de partida. “A ressonância magnética é o método de imagem auxiliar mais utilizado para confirmar o grau de comprometimento da cartilagem, mas o tratamento começa muito antes disso, com reforço muscular.”
Primeiro, entram as medidas conservadoras. “O tratamento costuma começar com medidas conservadoras.” Fortalecimento guiado por fisioterapeuta corrige desequilíbrios e melhora o alinhamento da patela. Anti-inflamatórios podem aliviar a dor e, em casos selecionados, infiltrações com ácido hialurônico auxiliam a retomada do treino. “A cirurgia é reservada para situações mais graves, quando o desgaste é extenso e há falha do tratamento clínico.”

Para prevenir e proteger o joelho, valem mudanças simples de hábito:
- · Fortalecer quadríceps e músculos do quadril
- · Alongar com regularidade
- · Usar calçados adequados nas atividades físicas
- · Controlar o peso e evitar aumentar a intensidade do treino de uma vez
“A dor tende a melhorar após 4 a 6 semanas do início da atividade física.” Para a ortopedista, o recado final é claro: “Mais do que um problema articular, a condromalácia é um alerta para o equilíbrio do corpo. Cuidar dos joelhos é investir na mobilidade, na autonomia e na qualidade de vida a longo prazo.”



