Do alto de seus 46 andares, São Paulo se estende como um tapete de prédios, ruas e histórias que mudam a cada década. É ali, no coração da Ipiranga com a São Luís, que o Edifício Itália completou 60 anos, mantendo-se como um dos marcos mais reconhecíveis da cidade.
“Ele é um farol no skyline de São Paulo”, resume José Arnoni, síndico do prédio há duas décadas. Para ele, o Itália é mais que um endereço, “é um organismo vivo, que pulsa junto com o centro da cidade, acompanhando fases de expansão, crise, revitalização e reinvenção”.
Restauro preserva a fachada tombada
Quem passa pelas calçadas percebe o tapume envolvendo a estrutura, trata-se do restauro da fachada, tombada pelo Compresp. “É uma obra necessária para manter segurança e aparência. Estamos trabalhando com aprovação do órgão e a intervenção deve durar entre um e dois anos”, explica Arnoni.
O prédio enfrenta diariamente vento, chuva e variações de temperatura, o que exige manutenção periódica. A última grande intervenção havia ocorrido há mais de uma década.
Vida cultural e empresarial no topo da cidade
O Terraço Itália, um dos restaurantes mais emblemáticos do país, ocupa a laje de cobertura e permanece como cartão-postal. Ali já passaram Rainha Elizabeth II, na inauguração da torre, e, recentemente, o presidente da Itália, Sergio Mattarella.
O edifício também abriga o Círculo Italiano de São Paulo, idealizador do projeto, além de escritórios e o tradicional Teatro Itália, que já recebeu grandes artistas ao longo de sua história.
Visitas guiadas e interesse de estudantes
Embora seja uma construção privada, o edifício pode ser visitado mediante agendamento com a administração, especialmente por grupos de estudantes de arquitetura. O engenheiro Rogério Magalhães, colaborador da casa, conduz tours explicativos sobre técnica, história e preservação.
Aos 60 anos, o Itália mantém o mesmo espírito que o ergueu em 1964: olhar para o alto, dialogar com a cidade e continuar sendo um ponto fixo no horizonte de São Paulo.



