Eliminação do Brasil na Copa levanta uma dúvida: afinal, é possível infartar de emoção?

A frustração pela derrota da Seleção reacendeu uma pergunta muito comum: a emoção pode realmente causar um infarto? Entenda a diferença entre o infarto agudo do miocárdio e a Síndrome do Coração Partido e saiba quando a dor no peito precisa de atendimento imediato.

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo mexeu com os torcedores. Foi uma semana de frustração, tristeza, ansiedade e muito nervosismo. Nessas horas, sempre aparece aquela frase: “Quase infartei de emoção.” Mas será que isso pode acontecer de verdade?

A resposta é que existem duas situações diferentes, e entender essa diferença é importante.

O que é a Síndrome do Coração Partido?

Existe uma condição chamada Síndrome do Coração Partido, também conhecida como Síndrome de Takotsubo, que pode surgir após um estresse emocional ou físico muito intenso. Ela já foi descrita após a perda de um ente querido, uma grande decepção, um susto, uma discussão importante ou o diagnóstico de uma doença grave. Em pessoas predispostas, momentos de forte emoção também podem funcionar como gatilho.

Os sintomas são muito parecidos com os do infarto agudo do miocárdio. Dor forte no peito, falta de ar, suor frio, náuseas e até desmaio fazem parte do quadro clínico. Por isso, muitas vezes o paciente chega ao pronto-socorro com suspeita de infarto.

Por que ela recebe o nome de Takotsubo?

O nome pode parecer estranho, mas tem uma explicação curiosa.

Takotsubo é o nome de uma armadilha usada por pescadores japoneses para capturar polvos. Durante a fase aguda da doença, o ventrículo esquerdo, principal câmara de bombeamento do coração, pode assumir um formato muito semelhante ao dessa armadilha, o que deu origem ao nome da síndrome.

Ela acomete principalmente mulheres, especialmente após a menopausa, e uma das principais teorias é que uma descarga intensa de hormônios do estresse, como a adrenalina, provoque uma alteração temporária do músculo cardíaco. No cateterismo, diferentemente do infarto clássico, geralmente não são encontradas obstruções importantes nas artérias coronárias.

Apesar de poder ser uma condição grave na fase aguda, a maioria dos pacientes apresenta recuperação da função do coração nas semanas seguintes, desde que receba o tratamento adequado.

Então, emoção pode causar um infarto?

Essa é uma dúvida muito comum.

Na maioria das vezes, o infarto agudo do miocárdio acontece porque já existe uma placa de gordura na parede da artéria do coração. Essa placa se forma lentamente ao longo da vida e está relacionada a fatores de risco como colesterol alto, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar.

Em alguns casos, um momento de estresse físico ou emocional intenso pode funcionar como gatilho para a ruptura dessa placa. Quando isso acontece, forma-se um coágulo que interrompe a passagem do sangue e provoca o infarto.

Ou seja, não é correto dizer que alguém “infartou apenas de emoção”. Na maioria das vezes, já existia uma doença cardiovascular silenciosa, e o estresse foi apenas o fator desencadeante do evento.

O que fazer diante de uma dor no peito?
Independentemente da causa, toda dor no peito merece avaliação médica e nunca deve ser ignorada

Se ela vier acompanhada de falta de ar, suor frio, náuseas, vômitos, mal-estar ou desmaio, procure atendimento médico imediatamente. Somente a avaliação clínica e os exames conseguem diferenciar um infarto agudo do miocárdio da Síndrome de Takotsubo e de outras causas de dor torácica.

A Copa passa. A emoção também passa. Mas cuidar da saúde do coração deve ser um compromisso permanente. Controlar os fatores de risco e fazer acompanhamento médico continuam sendo as melhores estratégias para prevenir doenças cardiovasculares.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS