RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Entenda a importância de Inezita Barroso para a MPB

Ignez Magdalena Aranha de Lima – imortalizada ao assumir o nome artístico Inezita Barroso – é uma das figuras mais emblemáticas e fundamentais da música popular brasileira, especialmente no que diz respeito à tradição da música caipira e das manifestações culturais de raiz.

Sua trajetória, construída com dedicação e paixão pela cultura brasileira, consolida-a como referência incontornável da nossa tradição musical.

Desde cedo, Inezita mostrou afinidade com a música: nascida em São Paulo, ela cresceu entre os sons do interior e da cidade grande, onde encontrou na viola, no canto e nas histórias rurais um mundo que se tornaria sua missão de vida. 

Sua carreira profissional começou no início dos anos 1950, quando gravou seus primeiros discos – entre eles as canções “Funeral de Um Rei Nagô” e “Curupira” – que já indicavam sua capacidade de traduzir musicalmente os sons e signos da cultura brasileira.

Ao longo de mais de seis décadas, Inezita Barroso gravou cerca de 100 discos, consolidando no repertório nacional canções que hoje são verdadeiros marcos, como “Moda da Pinga (Marvada Pinga)” (de Laureano); “Lampião de Gás” (de Zica Bergami) e “Prenda Minha” (Tradicional).

Mas sua contribuição para a música popular foi muito além de cantar e gravar. Com formação acadêmica em Biblioteconomia, pela USP – uma base rara para artistas da sua geração – Inezita tornou-se pesquisadora da cultura popular brasileira, percorrendo diversas regiões do país para coletar, registrar e preservar histórias e canções do interior. 

Sua obra enquanto folclorista e estudiosa contribuiu para resgatar saberes que, de outra forma, poderiam ter se perdido: um trabalho que se reflete hoje no acervo e nos projetos que celebram sua vida e legado no site No Gravador de Inezita”, dedicado a preservar registros, paisagens sonoras e materiais históricos relacionados à sua obra.

Na televisão, Inezita Barroso também foi pioneira. Foi uma das primeiras cantoras a entrar no universo da TV brasileira, passando por emissoras como a TV Record antes de se tornar um nome emblemático da TV Cultura. Foi lá que ela apresentou, por incríveis 35 anos, o programa “Viola, Minha Viola”, um espaço privilegiado de divulgação, valorização e celebração da música caipira e das tradições musicais do interior. 

No programa, manifestações como folias de reis, cururus, batuques e catiras ganharam visibilidade nacional, levando a riqueza cultural das regiões mais profundas do Brasil para milhares de lares semana após semana.

Inezita Barroso também atuou como atriz na década de 1950 em filmes como “Ângela” (1950), “O Craque” (1953), “Destino em Apuros” (1953), “É Proibido Beijar” (1954) e “Carnaval em Lá Maior” (1955). Recebeu o prêmio Saci de melhor atriz por sua atuação em “Mulher de Verdade” (1953).

Reconhecida por este trabalho, foi convidada a dar aulas sobre folclore em universidades paulistas. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de Doutora Honoris Causa em Folclore e Arte Digital pela Universidade de Lisboa.

Em 2003, foi condecorada pelo governo do estado de São Paulo com a medalha de mérito Ordem do Ipiranga, recebendo o título de Comendadora da Música Folclórica Brasileira.

Ao entendermos a importância de Inezita Barroso para a música popular brasileira, percebemos que seu legado não se limita às canções que gravou ou aos programas que apresentou: ele reside, principalmente, na forma como ela compreendeu a música como expressão profunda da identidade nacional, conectando campo e cidade, tradição e contemporaneidade, e garantindo que as vozes das raízes brasileiras ecoem por gerações.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS