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Especial: 10 discos icônicos com a percussão de Naná Vasconcelos

Um dos maiores nomes da percussão mundial é brasileiro: Naná Vasconcelos! Se não tivesse nos deixado em 2016, aos 71 anos o músico pernambucano completaria mais um ano neste 2 de agosto. 

Para homenageá-lo, separamos uma lista com 10 discos icônicos da MPB que contam com a percussão luxuosa de Naná! Aproveite!

Sobre Naná Vasconcelos

Eleito oito vezes o Melhor Percussionista do Mundo – pela revista americana Down Beat, considerada a “bíblia do jazz” – e ganhador de oito prêmios Grammy (entre latinos e estadunidenses), Naná Vasconcelos é considerado uma autoridade mundial em percussão.

Nascido Juvenal de Holanda Vasconcelos, na Recife, Naná teve o primeiro contato com instrumentos de percussão aos sete anos de idade, quando foi chamado pelo próprio pai para tocar bongô e maracas em um conjunto da cidade. 

Aprendeu a tocar sozinho ainda na infância, batucando em panelas e penicos e, autodidata, tocava quase todos os instrumentos de percussão, sem jamais ter frequentado nenhuma escola de música. 

Aos 12 anos, já se apresentava com seu pai em uma banda marcial em bares de Recife e participava de grupos de maracatu locais. Aprendeu primeiro a tocar bateria para então tocar berimbau.

Em 1967, Naná Vasconcelos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, viajou com Geraldo Azevedo para São Paulo, para participar do “Quarteto Livre”, que acompanhou Geraldo Vandré no III Festival Internacional da Canção.

No início da década de 1970, o percussionista formou o “Trio do Bagaço”, com Nélson Ângelo e Maurício Maestro, apresentando-se, com o grupo, no México, a convite de Luís Eça

Foi nesta mesma época que Gato Barbieri, saxofonista argentino, o convidou para fazer parte do seu grupo, fazendo com que Naná ganhasse projeção internacional, começando uma longa carreira fora do Brasil.

Apresentou-se com Gato Barbieri em Nova York e na Europa, com destaque para o festival de Montreaux, na Suíça, onde o percussionista encantou público e crítica. Ao término da turnê, fixou residência em Paris, na França, durante cinco anos, onde gravou o seu primeiro álbum: “Africadeus”, em 1971.

No Brasil, Naná gravou o seu segundo disco, “Amazonas”, em 1972. Começou, então, uma bem-sucedida parceria com o pianista e compositor brasileiro Egberto Gismonti, que durou oito anos e resultou em três álbuns: “Dança das Cabeças” (1977), “Sol do Meio-Dia” (1978) e ”Duas Vozes” (1984).

Naná Vasconcelos | Imagem: Reprodução

Naná Vasconcelos: referência mundial que reverencia o Brasil

Bagunçando o jazz tradicional, que admitia até aquele momento apenas a percussão afro-cubana, Naná Vasconcelos contribuiu para a divulgação internacional do berimbau. 

De volta a Nova York, formou, entre os anos de 1978 e 1982 – ao lado dos músicos norte-americanos Don Cherry e Collin Walcott – o trio de jazz “CoDoNa”, com o qual lançou três álbuns de world jazz.

Trabalhando com artistas das mais variadas tendências, Naná Vasconcelos fez turnê com a banda do guitarrista estadunidense Pat Metheny (vencedor de 20 Grammy Awards) gravou com a lenda B.B. King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com o grupo de rock americano Talking Heads, liderado por David Byrne. 

Em 1979, no disco “Saudades”, Naná Vasconcelos trouxeum concerto de berimbau e orquestra. Depois, vieram os álbuns “Bush Dance” (1986)e “Rain Dance” (1989), suas experiências com instrumentos eletrônicos. 

Em 1986, de volta ao Brasil depois de dez anos, fez turnê recebida com entusiasmo pelo público. Nessa altura, Naná já havia trabalhado em trilhas de filmes de sucesso, como “Procura-se Susan Desesperadamente”, de Susan Seidelman, estrelado por Rosanna Arquette e Madonna.

Daí por diante, Naná esteve envolvido mais diretamente com o cenário musical brasileiro ao fazer a direção artística do festival Panorama Percussivo Mundial (Percpan), em Salvador, e do projeto “ABC Musical”, além de participações especiais em álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, entre outros. 

Grande valorizador da cultura negra e de todas as influências afro-brasileiras, Naná Vasconcelos é considerado um virtuoso no berimbau. Adepto de métricas pouco usuais no jazz, mas muito tocadas no nordeste brasileiro, chamou a atenção do mundo inteiro com as possibilidades do seu genial e nada convencional berimbau, até então usado apenas na capoeira, e empenhou-se em explorar todas as potencialidades do instrumento.

O artista gravou mais de 20 discos durante sua próspera carreira, sendo o último intitulado “4 Elementos”, em 2013. Também atuou como produtor musical e compôs outras diversas trilhas sonoras para o cinema, como a da animação “O Menino e o Mundo”, que concorreu ao Oscar em 2016.

O percussionista foi também uma importante liderança em eventos musicais e projetos sociais, como o projeto “ABC das Artes Flor do Mangue”, trabalho com crianças carentes. 

Mesmo depois de duas décadas tocando pelo mundo – morou em Paris e Nova York – as influências de sua terra estão presentes em tudo o que Naná Vasconcelos fazia. Dotado de uma curiosidade intensa, indo da música erudita do brasileiro Villa-Lobos ao roqueiro Jimi Hendrix, embora tenha se especializado no berimbau, Naná aprendeu a tocar praticamente todos os instrumentos de percussão.

Nos seus últimos 15 anos de vida, Naná Vasconcelos abriu o Carnaval do Recife, acompanhado pelo cortejo de nações de maracatu. No dia de sua morte, o estado de Pernambuco declarou luto oficial de três dias em memória do artista, que havia se tornado Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) um ano antes.

O percussionista Naná Vasconcelos | Imagem: Reprodução

10 discos icônicos que contam com a percussão de Naná Vasconcelos

1 – Angelus – Milton Nascimento (1981)

Naná Vasconcelos toca percussão na faixa-título, “Ângelus”, composição solo de Milton Nascimento, e na canção “Meu Veneno”, parceria de Milton com Ferreira Goulart.

O álbum foi indicado ao Grammy Award de “Melhor Álbum de World Music” e Milton o considera como sendo o “Clube da Esquina III” e declara que é seu álbum favorito entre as suas composições. 

Também conta com participações internacionais como Peter Gabriel e James Taylor.

2 – Circuladô – Caetano Veloso (1991)

Naná Vasconcelos toca percussão na faixa “Boas Vindas”, composição solo de Caetano Veloso, em homenagem ao nascimento de seu segundo filho, Zeca.

3 – O Estrangeiro – Caetano Veloso (1989)

Naná Vasconcelos toca percussão e participa dos vocais na faixa-título, composição solo de Caetano Veloso.

Naná também faz a percussão das faixas “Jasper” (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sherer), “Este Amor”, “Outro Retrato” e “Etc” (todas de Caetano Veloso).

4 – Geraes – Milton Nascimento (1976)

Naná Vasconcelos toca percussão na última faixa do disco, a clássica “O Cio da Terra”, parceria de Milton Nascimento e Chico Buarque.

5 – Mais – Marisa Monte (1991)

Segundo álbum da carreira de Marisa Monte, Naná toca percussão nas canções “De Noite na Cama” (composição de Caetano Veloso), “Eu Não Sou da Rua” (de Branco Mello e Arnaldo Antunes) e “Tudo Pela Metade” (de Marisa e Nando Reis).

E ainda faz vocais para a faixa “Borboleta” (Folclore).

6 – Milagre dos peixes – Milton Nascimento (1973)

Aqui, Naná Vasconcelos está em todas as faixas do disco, tocando percussão e fazendo efeitos de voz. Na canção “Caxangá (Os Escravos de Jó)”, ele toca berimbau e faz efeitos de voz (essa música também conta com a voz de Clementina de Jesus!)

7 – Milton – Milton Nascimento (1970)

A parceria de Milton e Naná foi muito produtiva! Neste álbum, ele está em algumas faixas:

  • Amigo, Amiga (de Milton e Ronaldo Bastos) – tocando percussão e bateria
  • Maria Três Filhos  (de Milton e Fernando Brant) – tocando percussão e bateria
  • Canto Latino (de Milton e Ruy Guerra) – tocando percussão
  • Pai Grande (Milton) – percussão

8 – Na Pressão – Lenine (1999)

Naná Vasconcelos toca percussão (Talking Drum, Caxixis, Macarrão e Bombo Turco) na faixa-título do álbum “Na Pressão”, de Lenine (parceria do também pernambucano com Bráulio Tavares e Sérgio Natureza).

Ele também participa de outras duas faixas do disco:toca bombo turco em “Eu Sou Meu Guia” (parceria de Lenine e Bráulio) e caixa de guerra na música “Tubi Tupy” (Lenine e Carlos Rennó).

9 – Gil e Milton – Gilberto Gil e Milton Nascimento (2000)

Álbum antológico que reúne duas lendas da música popular brasileira: Gilberto Gil e Milton Nascimento. Duas não! Três! Porque Naná Vasconcelos toca berimbau e faz vocais na antológica faixa “Bom Dia”, composição de Gil e Nana Caymmi.

10 – Cuscuz Clã – Chico César (1996)

Naná Vasconcelos toca percussão no grande hit “À Primeira Vista”, no segundo álbum da carreira de Chico César,Cuscuz Clã”, de 1996. A canção já tinha entrado para o primeiro álbum do paraibano, em 1995, mas sem a percussão de Naná.

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