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Especial: a história da música “Mais Uma de Amor”, da Blitz

Hoje Evandro Mesquita completa 74 anos! Dá pra acreditar? E – para homenagear o artista carioca nesta data especial – a Novabrasil conta a história por trás de um dos maiores sucessos de sua carreira como líder da banda Blitz: a canção “Mais Uma de Amor (Geme, Geme)”.

Mais sobre o aniversariante, Evandro Mesquita

Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro de 1952, Evandro Mesquita cursou Educação Física até o terceiro ano, antes de enveredar de vez para a carreira artística, nos anos 70, integrando o grupo teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, que revelou outros talentos como Regina Casé, Cazuza e Luís Fernando Guimarães.

Na década de 80, tornou-se líder da banda Blitz, uma das pioneiras do chamado rock brasileiro. Com influências também do pop, reggae, blues e da música eletrônica, suas canções unem o bom humor e a teatralidade a letras marcantes e irreverentes, que misturam fala e canto.  

A Blitz marcou uma geração e transformou a história da música brasileira. Além de Evandro, a banda revelou outros grandes nomes, como Fernanda Abreu e Lobão, backing vocal e baterista da primeira formação. Além deles, formavam a Blitz: Márcia Bulcão, Ricardo Barreto, Antônio Pedro Fortuna e Billy Forghieri.

Foi Lobão, inclusive, que sugeriu o nome da banda, inspirado pela quantidade de vezes em que eram parados pela polícia a caminho dos ensaios.  Também teve influência na escolha do nome, a vinda da banda internacional The Police para o Brasil, na mesma época em que Evandro e Lobão fundaram a Blitz.

Lobão saiu da banda logo depois do lançamento do primeiro álbum: “As Aventuras da Blitz”, de 1982, mas a Blitz seguiu firme ao longo dos próximos anos. Foram 13 álbuns lançados até agora, entre de estúdio e ao vivo.

Muito da irreverência da Blitz deve-se à personalidade versátil e cheia de energia do nosso aniversariante do dia. Artista plural, Evandro também gravou discos em carreira solo, escreveu dois livros, é ator, produtor, diretor e roteirista. 

Entre as canções icônicas da banda estão: 

  • Você Não Soube me Amar (de Evandro, Guto, Ricardo Barreto e Zeca Mendigo); 
  • Mais Uma de Amor (Geme, Geme) (de Ricardo Barreto, Antônio Pedro e Bernardo Vilhena);
  • A Dois Passos do Paraíso (de Evandro e Ricardo Barreto).
Banda Blitz nos anos 80 | Foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação
Banda Blitz nos anos 80 | Foto: José Luiz Pederneiras/Divulgação

Hoje, com uma formação atual estável e que já gravou cinco álbuns – sendo o mais recente “Nudusoutros”, em 2025 – a banda é composta por, além de Evandro (no vocal, guitarra e violão), Billy (teclados), Juba (bateria), Rogério Meanda (guitarra), Alana Alberg (baixo), Andréa Coutinho (backing vocal, com quem Evandro é casado e tem uma filha) e Nicole Cyrne (backing vocal). 

Como descrevem em seu site oficial: “Antenados com a modernidade, o caldeirão Blitz continua fervendo com o rock, o pop, o reggae, o blues, o eletrônico, as baladas de gaita e violão, as letras bem-sacadas, as guitarras swingadas, o canto falado, as respostas das meninas, enfim, o típico bom-humor que sempre foi a marca de Mesquita & Cia. Atividade total e muitos shows Brasil afora, com a tour que nunca tem fim. ‘Enquanto houver bambu tem flecha!’”.

Evandro Mesquita – que  também é produtor, diretor e roteirista – lançou quatro discos solo durante uma pausa da banda Blitz, entre os anos de 1986 e 1994, e já escreveu dois livros: “Xis Tudo” (2007) e “Meu Pequeno Tricolor” (2009). 

Como ator, ele participou de novelas globais como “Top Model” (1989); “Vamp” (1991); “Mulheres de Areia” (1993); “Bang Bang” (2005); e “Rock Story” (2017), além de participações em séries e humorísticos da Rede Globo, como “Armação Ilimitada”, “Sai de Baixo”, “Malhação”, “Os Normais”, “Tapas & Beijos” e “Justiça 2”. 

Em 2005, passou a integrar o elenco da série “A Grande Família”, no papel do mecânico Paulão, personagem que conquistou os fãs do programa e tornou-se um dos seus papéis mais lembrados, fazendo-o permanecer até o fim da série, em 2014.

Na nova versão da Escolinha do Professor Raimundo, de 2015, ele interpretou o personagem Armando Volta, permanecendo na série até a última temporada, em 2020.

No cinema, fez sua estreia em 1982 com o filme “O Segredo da Múmia”. Depois, atuou em outras produções como “Menino do Rio” (1982); “Gêmeas” (1999), “Os Normais – O Filme” (2003), “Um Lobisomem na Amazônia” (2005) e “Depois a Louca Sou Eu” (2021) e “Dona Lurdes – O Filme” (2024); além de dublagens de produções norte-americanas, como “Deu Zebra” (2006) e “Meu Malvado Favorito 3” (2017). 

Evandro Mesquita também escreveu e estrelou o filme “Não Quero Falar sobre Isso Agora” (1991), pelo qual ganhou o Kikito de Ouro de melhor roteiro no Festival de Gramado.

Evandro Mesquita | Foto: Divulgação
Evandro Mesquita | Foto: Divulgação

História da música “Mais Uma de Amor (Geme, Geme)”

A canção “Mais Uma de Amor (Geme, Geme)” entrou para o primeiro álbum da banda –  “As Aventuras da Blitz”, de 1982 – e tornou-se um dos seus maiores sucessos até os dias atuais.

Trata-se de uma composição conjunta entre Antônio Pedro Fortuna, Ricardo Barreto (que foram baixista e guitarrista da Blitz respectivamente nos anos 80 e 90) e o poeta, compositor e letrista carioca Bernardo Vilhena.

A letra da música, inclusive, é baseada em uma experiência de Bernardo Vilhena. Primeiramente, para contextualizar, durante a década de 70, Bernardo integrava o coletivo Nuvem Cigana, grupo desenvolvido por poetas, arquitetos, artistas visuais, músicos e jornalistas. 

Ele teve sua primeira composição gravada por Lulu Santos em 1980 e tem vários sucessos em parceria com Lobão e Ritchie (Lulu, Lobão e Ritchie formaram juntos uma banda em meados dos ano 70, chamada Vimana, pouco antes de Lobão integrar a Blitz). Depois, o poeta se aproximou também da turma da Blitz, com quem compôs “Mais Uma de Amor (Geme, Geme)” e mais algumas outras canções.

Para vocês terem uma ideia, entre outros sucessos compostos por Bernardo Vilhena estão músicas como: “Menina Veneno”, em parceria com Ritchie; “Por Tudo Que For”, “Vou Te Levar” e “Vida Louca Vida”, com Lobão; “Essa Noite Não”, com Lobão, Daniele Daumerie e Ivo Meirelles; e “O Erê”, sucesso da banda Cidade Negra (parceria com Toni Garrido, Da Ghama, Lazão e Bino Farias).

Formação atual da banda Blitz. Foto: Divulgação.

Voltando à história da canção, “Mais Uma de Amor (Geme, Geme)”, aconteceu assim:

Bernardo Vilhena tinha uma namorada na época, chamada Isabela, que tinha viajado para o Amazonas, e a comunicação com ela estava difícil. Sabe como era: a tecnologia não deixava a gente tão conectado assim. Bernardo ficava esperando aquele momento especial em que ela pudesse ligar ou ele tentasse algum número e conseguisse falar. 

Um dia, ele estava em sua casa –  aguardando ansiosamente por um telefonema da moça – quando o guitarrista da Blitz, Ricardo Barreto, apareceu animado com o violão para mostrar para ele uma música que tinha feito com o baixista  Antônio Pedro e que queria que o poeta colocasse a letra.

Bernardo respondeu: “Mas sobre o quê, Ricardo? Não tenho assunto assim agora.”

Foi neste exato momento que tocou o telefone. Era Isabela, ligando de longe. E quando Bernardo Vilhena perguntou onde ela estava, ela respondeu: “Estou no paraíso. Aqui é maravilhoso, aqui é muito bom.”, ela contava sobre a paisagem deslumbrante do Amazonas do outro lado da linha. 

Bernardo ouviu tudo com carinho e aliviado e – quando a ligação terminou – ele já sabia sobre o que escrever. Pegou papel e começou. Nasceu assim a letra de “Geme Geme” (esse era o título original da canção!):

“Perdi meu amor
(No paraíso)
Dou tudo que eu tenho
(Por um aviso)
Ou seja sob sol (ou seja sob sol)
Ou debaixo de chuva (Ou debaixo de chuva)
A minha alma geme por você

Geme geme uh! Uh!
Por você
Geme geme ah!”

Bernardo Vilhena ainda relata como se sente longe de Isabela:

“Não durmo de noite

(Arrasto correntes)

Sozinho na cama

(Trincando os dentes)”

E aí entra o trecho em que ele conta que a viagem estava chegando ao fim e que sua amada voltaria logo para os seus braços:

“Vocês podem estar pensando

(Ela foi embora)

Mas está quase voltando

(Não demora)

Ou ela foi pra muito longe

(Felicidade)

Onde estás que não respondes’

Depois da música pronta, uma curiosidade: quando o repertório do primeiro disco da Blitz foi definido, “Geme, Geme” ficou de fora. Até que um dia, no estúdio, Ricardo Barreto estava tocando a canção no violão, como se tocasse pra si mesmo, quando o produtor Mariozinho Rocha passou por ali e ouviu aquela melodia e insistiu que a música entrasse para o álbum: ainda bem! 

A música ganhou um novo título – “Mais Uma de Amor (Geme, Geme)” – e foi um dos maiores sucessos daquele disco de estreia da Blitz, marcando para sempre a sua história, com a interpretação inesquecível de Evandro Mesquita, com aquela fala inicial que não estava na composição original.

“Essa é mais uma das manjadas
Histórias de amor
Que já aconteceu comigo
Com você e com todo mundo
É a história do cara
Que perdeu a gata
E da gata que perdeu o cara
Diz mais ou menos assim”

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