Espreguiçar ao acordar ajuda a ativar o cérebro e “destravar” o corpo

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Esticar os braços, alongar as pernas e soltar um suspiro profundo logo ao despertar é um comportamento tão comum que muita gente nem percebe que o faz. Mas esse movimento espontâneo tem uma função importante: ajudar o organismo a sair do “modo sono” e entrar, gradualmente, no estado de alerta.

O neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida explica que esse ato, conhecido na medicina como pandiculação, é uma sequência coordenada de contração e alongamento muscular que envolve diferentes partes do corpo e a respiração. “Apesar de parecer trivial, é um mecanismo fisiológico antigo, presente inclusive em diversos animais, e ajuda na transição entre o sono e a vigília”, afirma.

Durante a noite, o corpo naturalmente reduz o ritmo: a frequência cardíaca tende a cair, a pressão arterial pode diminuir e o tônus muscular fica mais baixo, como parte do processo de recuperação. Ao acordar, essa mudança precisa ser revertida com segurança e eficiência — e o espreguiçar entra como um “atalho” biológico para acelerar essa adaptação.

Um ajuste fino do sistema neuromuscular

Ao espreguiçar, a contração muscular seguida de alongamento ativa receptores presentes nos músculos e nas articulações. Esses sensores enviam sinais ao sistema nervoso central, ajudando o cérebro a recalibrar o controle do movimento e da postura para o início do dia.

Na prática, o gesto funciona como um pequeno “reset” do sistema neuromuscular, reduzindo a sensação de rigidez e preparando músculos e articulações para as primeiras atividades após levantar da cama.

Esse processo também está ligado à propriocepção, que é a capacidade do cérebro de reconhecer a posição e o movimento do corpo no espaço. Segundo o especialista, esse ajuste contribui para melhorar a coordenação logo após o despertar e tornar os movimentos mais naturais nas primeiras horas da manhã.

Foto: Freepik.

Mais alerta e melhor circulação

O espreguiçar também participa da ativação do sistema nervoso. O movimento costuma vir acompanhado de uma inspiração profunda, o que ajuda a estimular circuitos cerebrais relacionados ao estado de alerta.

Além disso, a própria contração muscular favorece a circulação sanguínea e o retorno venoso, contribuindo para a distribuição de oxigênio para o cérebro e os músculos. “Muitas pessoas percebem uma sensação imediata de ‘despertar’ após se espreguiçar, porque o corpo começa a funcionar em um ritmo mais ativo”, destaca Cesar Cimonari de Almeida.

No dia a dia, isso se traduz em um começo de manhã mais confortável: menos “travamento”, mais mobilidade e uma transição mais suave entre o repouso e as demandas físicas e cognitivas do dia.

Um movimento simples e saudável

Para a maioria das pessoas, espreguiçar ao acordar é um hábito natural e benéfico. O gesto mobiliza articulações, ativa diferentes grupos musculares que ficaram relativamente imóveis durante o sono e pode promover sensação de relaxamento e bem-estar, especialmente quando acompanhado de respiração profunda.

A recomendação, em geral, é simples: respeitar esse impulso espontâneo do corpo e permitir que ele aconteça, como uma forma prática de ajudar o organismo a se organizar para o dia que começa.

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