A vitória do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais de Saxônia-Anhalt provocou uma crise no governo do chanceler Friedrich Merz. O resultado enfraqueceu a coligação de governo e acendeu alertas sobre o avanço do radicalismo no país. A legenda se baseia forte oposição à imigração, críticas ao consenso antifascista do pós-guerra e propostas de aproximação com a Rússia.
A ascensão do grupo extremista desencadeou uma onda de protestos nas principais cidades alemãs e reações de aversão de entidades defensoras dos direitos humanos e de sobreviventes do Holocausto.
O Alto Comissário da ONU alertou para os riscos que o fortalecimento de plataformas antidemocráticas e populistas traz para a estabilidade de instituições globais.
Paralelamente, o ministro para Assuntos Europeus da França, Benjamin Haddad, chegou a dizer que “o momento é sério na Europa“. O próprio bloco liderado por Marine Le Pen, representante da extrema-direita francesa no Parlamentou Europeu, expulsou a AfD por considerar a legenda “radical” demais.
Na Itália, o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Tajani, alertou que o quadro é “terrível” e que as tendências liberais do partido é “a antítese dos valores liberais ocidentais“.
Ao mesmo tempo, o presidente americano Donald Trump e autoridades russas celebraram a vitória da extrema-direita
Internamente, o avanço da legenda de corte anti-imigração e pró-Moscou fragilizou a coalizão do chanceler conservador Friedrich Merz. Protestos populares eclodiram nas principais capitais alemãs contra a relativização do passado nazista. Analistas internacionais apontam que o triunfo regional não apenas coloca em xeque a coesão do governo em Berlim, como também projeta um efeito cascata sobre o equilíbrio político do bloco europeu. A região terá ciclo eleitoral decisivo nos próximos meses.

