Bruna Lombardi é uma artista multifacetada: poeta, escritora, atriz, apresentadora, roteirista, produtora de cinema, empreendedora e ativista ambiental. É autora de diversos best-sellers, incluindo No ritmo dessa festa, O perigo do dragão, Jogo da felicidade, Manual para corações machucados e outros. Dentro desses outros, consta Filmes proibidos, primeiro romance de Bruna, publicado em 1990. Agora, ele está de volta às livrarias em edição revista pela autora, com texto de apresentação contextualizando a obra.
Narrado em primeira pessoa, Filmes proibidos conta a história de uma mulher de 30 anos que atravessa uma série de experiências, em diferentes lugares e momentos da vida. Viciada em “remédios para rinite” e um tanto perdida em sua existência, logo nas primeiras páginas ela se apaixona de pronto por um homem fugaz, que aparece e desaparece constantemente – criando a sensação de que ele escorre pelos dedos da personagem, e também do leitor –, como uma ilusão efêmera.

O cinema permeia a narrativa de Filmes proibidos: é na saída de uma sessão que a protagonista conhece o amor fugaz; o pai era dono de uma sala de cinema; ela é produtora de filmes que não dão muito certo. A nova edição do livro, que sai agora pela Record, reafirma o talento dessa artista multifacetada, também apresentadora, roteirista e produtora de cinema.
Por meio dessa protagonista moderna, independente, observadora, irônica e que, ao mesmo tempo, é romântica e busca viver um grande amor, somos imersos em uma São Paulo vibrante, repleta de personagens excêntricos. A aventura aqui narrada ocorre na virada da década de 1980 para 1990. No texto inédito de apresentação a essa edição, Bruna Lombardi reflete sobre a geração protagonista dessa história, que é “urbana, pós-moderna, fascinada pela explosão techno e pelos computadores pessoais”. Trata-se de uma sociedade aquém do que hoje, aparentemente, nos é essencial, que ainda não tem “redes sociais, Google, celulares, selfies, WhatsApp,
streaming, algoritmos, aplicativos e muito menos IA”. A narrativa retrata, assim, uma geração que valoriza a presença física de seu parceiro e exige a forma real do outro, ao mesmo tempo em que está à beira da transição para o mundo digital.
Filmes proibidos não é uma obra que ficou presa no século XX. Na verdade, apesar do gap temporal evidenciado pelas diferenças entre o que para as personagens era novidade e o que para nós já pertence ao passado, traz uma história que parece ter sido escrita nos dias atuais. É, portanto, uma narrativa pioneira, à frente de seu tempo, assim como sua autora, que coloca no centro do palco uma mulher dona de si, que não abre mão de viver plenamente, em sua liberdade.




