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Finasterida: alertas sobre depressão e efeitos sexuais mudam recomendações

Usado há décadas contra a calvície masculina, o remédio finasterida voltou ao centro das atenções por possíveis efeitos no humor e na vida sexual. “A Finasterida é uma medicação muito usada no mundo inteiro, por via oral, há mais de 2 décadas, para o controle do avanço da calvície masculina”, afirma a dermatologista Flávia Alvim Sant Anna Addor.

O que mudou nos alertas de segurança

Com o aumento de relatos de alterações psiquiátricas associadas ao uso do medicamento, agências regulatórias reforçaram as recomendações de cuidado. Segundo a médica, houve um posicionamento europeu destacando padrão de mudanças de humor — inclusive depressão e ideação suicida — sobretudo na dose de 1 mg e em homens jovens. “Devido ao aumento de casos de sintomas psiquiátricos associados ao uso de finasterida, um recente posicionamento a respeito desta questão ocorreu quando a Agência Europeia de Medicamentos emitiu um comunicado ressaltando um padrão de alterações de humor, incluindo depressão e até ideação suicida com o uso do remédio, principalmente em sua versão de 1mg, e em pacientes jovens.”

No Brasil, a Anvisa determinou atualização de bula orientando a suspensão da medicação diante desses sintomas. A dermatologista acrescenta que a mesma diretriz deve valer para a dutasterida, droga com mecanismo semelhante e usada em casos de calvície.

Foto: Divulgação.

Como o remédio pode afetar o humor

A finasterida age ao bloquear a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), o que ajuda a conter a queda de cabelo. Mas essa via também pode interferir em substâncias do cérebro ligadas ao bem-estar. “A finasterida bloqueia a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), mas com isso também pode interferir em neuroesteroides, que são substâncias ligadas à regulação do humor no cérebro.”

A especialista alerta que, em alguns casos, os sintomas persistem mesmo após parar o remédio. “O problema pode inclusive persistir mesmo após a suspensão do uso- é a chamada síndrome pós finasterida, caracterizada por insônia, depressão, disfunção erétil e até pensamentos suicidas.” Entre os sinais relatados estão:

  • · Insônia
  • · Depressão
  • · Disfunção erétil
  • · Pensamentos suicidas

Quando buscar ajuda e o que fazer

A orientação é não usar esse tipo de medicamento sem acompanhamento, especialmente em tratamentos contínuos. “Portanto, fica um alerta: medicações de uso continuado devem ter sempre acompanhamento médico, para um monitoramento seguro e, se for necessário a suspensão e busca de alternativas terapêuticas e de apoio neuropsiquiátrico.”

Para quem já usa finasterida ou dutasterida, a recomendação é conversar com o médico diante de qualquer alteração de humor ou queixa sexual. A suspensão e a troca da terapia devem ser avaliadas caso a caso, com suporte especializado.

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