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Gastrite não vira úlcera: entenda as diferenças, riscos e o tratamento

Gastrite e úlcera costumam ser confundidas, mas são problemas diferentes do estômago, destaca o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Antonio Couceiro Lopes. “Gastrite e úlcera não são a mesma coisa — gastrite é inflamação da mucosa do estômago, enquanto a úlcera é uma ferida que atravessa essa mucosa; uma não precisa ‘virar’ a outra.”

Na prática, a úlcera pode surgir sem que a endoscopia mostre “gastrite” antes. Como resume o médico: “Na prática clínica, a úlcera não precisa ‘passar’ pela etapa de gastrite visível ao endoscopista para existir. Ela surge quando a agressão supera as defesas da mucosa e o dano já é profundo.”

Como diferenciar

Gastrite é inflamação vista ao microscópio. Quando há irritação da mucosa por bile, álcool ou anti-inflamatórios, com pouca inflamação, o quadro técnico se chama gastropatia. Já a úlcera é uma “cratera” que atravessa camadas do estômago; por isso, sangra e perfura com mais facilidade do que uma erosão superficial.

O recado central é simples: “Não necessariamente. Gastrite é um padrão inflamatório; úlcera é um defeito profundo.”

Causas e como prevenir

Segundo o especialista, duas forças estão em jogo. “Duas forças puxam a corda: agressores (ácido, pepsina, anti-inflamatórios, H. pylori) e defesas (muco, bicarbonato, boa circulação, renovação celular).” Quando os agressores vencem, a úlcera aparece.

Os gatilhos mais comuns são:

  • · A bactéria H. pylori (a “bactéria do estômago”), ainda muito frequente no mundo;
  • · O uso de anti-inflamatórios (inclusive os de farmácia, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno);
  • · Estresse físico grave em internações críticas.

Erradicar a bactéria muda o rumo da doença. “Além de cicatrizar a úlcera com os inibidores de ácido, remover o H. pylori reduz de forma marcante a chance de a úlcera voltar”. No caso dos anti-inflamatórios, o risco varia conforme o remédio e a dose. Para quem realmente precisa deles, usar o menor tempo possível e, quando indicado pelo médico, associar um protetor gástrico pode reduzir sangramentos. Em pacientes de maior risco, combinar um anti-inflamatório do tipo COX-2 com um inibidor de bomba de prótons oferece proteção extra.

Foto: Divulgação.

Diagnóstico e tratamento

A endoscopia enxerga a úlcera e trata complicações, mas a aparência da lesão não basta para afastar câncer no estômago. “Aspecto endoscópico isolado não é confiável”, alerta o médico. Por isso, recomenda-se biopsiar a úlcera gástrica e, muitas vezes, repetir o exame após 4 a 8 semanas para checar a cicatrização.

O tratamento vai à causa. Para úlcera ligada à H. pylori, a regra é antibiótico por 14 dias, seguido de um “teste de cura” (exame do ar expirado, fezes ou biópsia) pelo menos 4 semanas após o fim dos antibióticos, suspendendo o remédio que reduz o ácido por 2 semanas antes do teste para evitar falso-negativo. Já na úlcera associada a anti-inflamatórios, o ideal é suspender o remédio; se não for possível, proteger o estômago com inibidor de bomba de prótons e, quando indicado, preferir um COX-2, sempre avaliando o risco cardiovascular.

Quando não há H. pylori nem uso de anti-inflamatórios — as chamadas úlceras “sem causa aparente” —, a tendência é de mais recaídas e maior risco de complicações. Nesses casos, o controle do ácido costuma ser mantido por mais tempo e a vigilância é redobrada.

Para o leitor, a mensagem final é objetiva: trate a raiz do problema e confirme a cura quando houver H. pylori. Como reforça o especialista, “em úlcera gástrica, biópsia e reavaliação documentada são peças de segurança oncológica que não devem ser puladas.”

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