Gastrite não vira úlcera: entenda as diferenças, riscos e o tratamento

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Gastrite e úlcera costumam ser confundidas, mas são problemas diferentes do estômago, destaca o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Antonio Couceiro Lopes. “Gastrite e úlcera não são a mesma coisa — gastrite é inflamação da mucosa do estômago, enquanto a úlcera é uma ferida que atravessa essa mucosa; uma não precisa ‘virar’ a outra.”

Na prática, a úlcera pode surgir sem que a endoscopia mostre “gastrite” antes. Como resume o médico: “Na prática clínica, a úlcera não precisa ‘passar’ pela etapa de gastrite visível ao endoscopista para existir. Ela surge quando a agressão supera as defesas da mucosa e o dano já é profundo.”

Como diferenciar

Gastrite é inflamação vista ao microscópio. Quando há irritação da mucosa por bile, álcool ou anti-inflamatórios, com pouca inflamação, o quadro técnico se chama gastropatia. Já a úlcera é uma “cratera” que atravessa camadas do estômago; por isso, sangra e perfura com mais facilidade do que uma erosão superficial.

O recado central é simples: “Não necessariamente. Gastrite é um padrão inflamatório; úlcera é um defeito profundo.”

Causas e como prevenir

Segundo o especialista, duas forças estão em jogo. “Duas forças puxam a corda: agressores (ácido, pepsina, anti-inflamatórios, H. pylori) e defesas (muco, bicarbonato, boa circulação, renovação celular).” Quando os agressores vencem, a úlcera aparece.

Os gatilhos mais comuns são:

  • · A bactéria H. pylori (a “bactéria do estômago”), ainda muito frequente no mundo;
  • · O uso de anti-inflamatórios (inclusive os de farmácia, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno);
  • · Estresse físico grave em internações críticas.

Erradicar a bactéria muda o rumo da doença. “Além de cicatrizar a úlcera com os inibidores de ácido, remover o H. pylori reduz de forma marcante a chance de a úlcera voltar”. No caso dos anti-inflamatórios, o risco varia conforme o remédio e a dose. Para quem realmente precisa deles, usar o menor tempo possível e, quando indicado pelo médico, associar um protetor gástrico pode reduzir sangramentos. Em pacientes de maior risco, combinar um anti-inflamatório do tipo COX-2 com um inibidor de bomba de prótons oferece proteção extra.

Foto: Divulgação.

Diagnóstico e tratamento

A endoscopia enxerga a úlcera e trata complicações, mas a aparência da lesão não basta para afastar câncer no estômago. “Aspecto endoscópico isolado não é confiável”, alerta o médico. Por isso, recomenda-se biopsiar a úlcera gástrica e, muitas vezes, repetir o exame após 4 a 8 semanas para checar a cicatrização.

O tratamento vai à causa. Para úlcera ligada à H. pylori, a regra é antibiótico por 14 dias, seguido de um “teste de cura” (exame do ar expirado, fezes ou biópsia) pelo menos 4 semanas após o fim dos antibióticos, suspendendo o remédio que reduz o ácido por 2 semanas antes do teste para evitar falso-negativo. Já na úlcera associada a anti-inflamatórios, o ideal é suspender o remédio; se não for possível, proteger o estômago com inibidor de bomba de prótons e, quando indicado, preferir um COX-2, sempre avaliando o risco cardiovascular.

Quando não há H. pylori nem uso de anti-inflamatórios — as chamadas úlceras “sem causa aparente” —, a tendência é de mais recaídas e maior risco de complicações. Nesses casos, o controle do ácido costuma ser mantido por mais tempo e a vigilância é redobrada.

Para o leitor, a mensagem final é objetiva: trate a raiz do problema e confirme a cura quando houver H. pylori. Como reforça o especialista, “em úlcera gástrica, biópsia e reavaliação documentada são peças de segurança oncológica que não devem ser puladas.”

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS