RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Há 94 anos as mulheres brasileiras conquistavam o direito de votar

Você sabia que fazem somente 94 anos que as mulheres têm o direito de votar no Brasil? Exatamente, nem um século! Até o dia 24 de fevereiro de 1932, as mulheres brasileiras não podiam participar das votações para eleger quem governaria o país.

Foi somente nesta data que – depois de anos de lutas e reivindicações – a conquista foi  obtida por meio do Movimento Sufragista, ligado ao Feminismo, que exigia que as mulheres deveriam ter acesso à cidadania e participar da escolha dos representantes e do debate político.

Várias mulheres essenciais para a nossa história participaram desse longo processo e dessa conquista. Vamos entender melhor como isso aconteceu e conhecer essas mulheres?

Josefina Álvares Azevedo

Reprodução do retrato litografado de Josefina Álvares de Azevedo, feito por L. Amaral, publicado em A Família, Número Especial, 1889.

Em 1989, a jornalista Josefina Álvares Azevedo, aproveitando o surgimento da República e de uma nova Constituição, se empenhou em uma campanha pelo sufrágio feminino e escreveu uma série reivindicando o direito da mulher ao voto. Nela, ela dizia: “Brilhará, com a fulgente aurora da República Brasileira, a luz deslumbradora da nossa emancipação?”. 

Mas, infelizmente – e por conta do machismo predominante na época, que acreditava que as mulheres deviam apenas cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos e que sua emancipação apresentava um “perigo para a desagregação da família e da figura da mulher” – ainda não havia chegado a hora.

Leolinda Daltro

Retrato de Leolinda Figueiredo Daltro, professora e sufragista brasileira | Imagem: Revista da Semana, ano XXXIV, edição 23 – Republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira

Em 1910, a professora Leolinda Daltro fundou, junto com outras feministas, o Partido Republicano Feminino, cujo objetivo era a luta pelo sufrágio feminino, promovendo a cooperação entre as mulheres na defesa de causas que fomentassem o progresso do país, lançando – no debate público – o pleito das mulheres pela ampla cidadania.

Bertha Lutz e Maria Lacerda de Moura

Em 1922, a ativista, bióloga, educadora e diplomata Bertha Lutz – segunda mulher a ser aprovada em um concurso público no país – fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que teve papel fundamental na conquista do sufrágio feminino e na luta pelos direitos políticos da mulher. 

Foi a organização feminista com maior inserção nas esferas de poder da época e suas militantes escreveram na imprensa, organizaram congressos, articularam com políticos, lançaram candidaturas, distribuíram panfletos em aviões e representaram o Brasil no exterior.

Essa organização tinha como objetivos básicos: “promover a educação da mulher e elevar o nível de instrução feminina; proteger as mães e a infância; obter garantias legislativas e práticas para o trabalho feminino; auxiliar as boas iniciativas da mulher e orientá-la na escolha de uma profissão; estimular o espírito de sociabilidade e cooperação entre as mulheres e interessá-las pelas questões sociais e de alcance público; assegurar à mulher direitos políticos e preparação para o exercício inteligente desses direitos; e estreitar os laços de amizade com os demais países americanos.”.

No início da década de 20, Bertha Lutz já havia fundado – ao lado da professora Maria Lacerda de Moura, a Liga para a Emancipação Internacional da Mulher: um grupo de estudos cuja finalidade era a luta pela igualdade política das mulheres.

Celina Guimarães

Celina Guimarães Viana, primeira mulher a votar no Brasil | Imagem: Domínio Público

Já a professora Celina Guimarães tornou-se a primeira eleitora brasileira. Celina requereu sua inclusão no rol de eleitores do município de Mossoró (RN), onde nasceu, em 1927, após a entrada em vigor da Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro daquele ano, que tornava o Rio Grande do Norte o primeiro estado a estabelecer a não distinção de sexo para o exercício do voto. A inscrição eleitoral de Celina Guimarães repercutiu mundialmente, por se tratar não só da primeira eleitora do Brasil como também da América Latina.

Mietta Santiago

Mietta Santiago | Imagem: Reprodução

Em 1928, a estudante de direito mineira Mietta Santiago, que havia estudado na Europa, retornou ao Brasil e descobriu que o veto ao voto das mulheres contrariava o artigo 70 da Constituição Brasileira de 24 de fevereiro 1891, então em vigor. Com garantia de sentença judicial (fato inédito no país), proferida em Mandado de Segurança, conquistou o direito de votar. O que de fato fez, votando em si mesma para uma vaga de deputada federal.

Alzira Soriano 

Alzira Soriano Teixeira foi a primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina | Foto: Reprodução/TSE

No mesmo ano, a primeira mulher tomou posse de um cargo político eletivo no Brasil: Alzira Soriano venceu a eleição para a prefeitura de Lages, em Santa Catarina, com 60% dos votos. Sua gestão ficou conhecida pelo desenvolvimento de obras de infraestrutura, como a construção de estradas e escolas e melhorias no sistema de iluminação pública. O mandato de Alzira, no entanto, não foi longo. Ela foi afastada da prefeitura após a Revolução de 1930, pois não concordava com o movimento que levou Getúlio Vargas à presidência.

Getúlio Vargas chefiava o governo provisório desde o final de 1930, quando havia liderado um movimento civil-militar que depôs o presidente Washington Luís. Uma das bandeiras desse movimento (Revolução de 30) era a reforma eleitoral. O decreto também criou a Justiça Eleitoral e instituiu o voto secreto. 

O voto feminino no Brasil foi reconhecido por Vargas por meio do Decreto 21.076, em 1932. Em 1933, houve eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, e as mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira vez. A Constituinte elaborou uma nova Constituição, que entrou em vigor em 1934, consolidando o voto feminino uma conquista do movimento feminista da época.

Carlota Pereira de Queirós

Carlota Pereira de Queirós | Imagem: Academia Nacional de Medicina

Naquele ano de 1933, a médica paulista Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher a ser eleita deputada federal da América Latina. Ela também foi a única mulher eleita para compor a Assembleia Nacional Constituinte de 1934, integrando a Comissão de Saúde e Educação.

Antonieta de Barros

Antonieta de Barros, primeira mulher negra eleita deputada no país | Imagem: Udesc/Divulgação

Em 1934, na primeira eleição após a aprovação do Código Eleitoral que deu o direito de voto às mulheres, foi eleita a primeira mulher negra, Antonieta de Barros, para o cargo de deputada estadual em Santa Catarina. 

Foi somente em 1965 – com a Lei 4.737, que editou o Código Eleitoral – que o voto feminino tornou-se obrigatório, sendo equiparado ao dos homens.

Fontes: Agência Senado e camara.leg.br

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS