As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por diferentes tipos de vírus — A, B, C, D e E — e continuam sendo um desafio silencioso à saúde pública mundial. No Brasil, os tipos mais comuns são A, B e C. As infecções podem passar despercebidas por anos, evoluindo para quadros graves como cirrose e câncer hepático se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo.
“Muitas vezes o paciente só descobre que tem hepatite quando o fígado já está comprometido. É uma doença traiçoeira, justamente por não apresentar sintomas nas fases iniciais”, alerta a infectologista Renata de Magalhães Vieira.
Transmissão, sintomas e tipos mais comuns
As hepatites A e E são transmitidas por via fecal-oral, geralmente por água ou alimentos contaminados. Já os tipos B e C se disseminam principalmente por contato com sangue e fluidos corporais, como em transfusões, relações sexuais desprotegidas, uso de objetos perfurocortantes ou compartilhamento de itens de higiene pessoal.
Quando presentes, os sintomas incluem cansaço, febre, dor abdominal, enjoo, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras. “Na maior parte dos casos, porém, as hepatites são assintomáticas. Isso exige atenção redobrada com exames preventivos e medidas de proteção”, reforça a médica.
Riscos das formas crônicas
As hepatites B e C são as que mais evoluem para formas crônicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essas infecções causam cerca de 1,4 milhão de mortes por ano no mundo, incluindo casos de cirrose e câncer de fígado. Estima-se que até 85% das infecções por hepatite C possam se tornar crônicas se não tratadas.
“É essencial fazer o diagnóstico precoce. A hepatite C, por exemplo, tem hoje um tratamento com antivirais de ação direta que oferece mais de 95% de chance de cura”, afirma Renata.
Como se proteger
A prevenção das hepatites envolve uma combinação de medidas de higiene, vacinação e práticas seguras no dia a dia. Veja algumas recomendações importantes:
- Lavar as mãos com água e sabão
- Consumir alimentos bem cozidos e água tratada
- Usar preservativos
- Evitar compartilhamento de objetos cortantes e escovas de dente
- Certificar-se da esterilização em procedimentos como tatuagens e piercings
- Manter o esquema vacinal atualizado para hepatites A e B (disponíveis pelo SUS)
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por exames de sangue que identificam a presença dos vírus ou seus marcadores. Os tratamentos variam conforme o tipo de hepatite:
- Hepatites A e E: autolimitadas e sem necessidade de medicação específica
- Hepatite B: controlada com antivirais
- Hepatite C: tratamento curativo com medicamentos modernos
“A hepatite pode ser prevenida, controlada e até curada. Mas para isso, é preciso informação, diagnóstico e ação rápida”, conclui a infectologista.



