Você conhece Hermínio Bello de Carvalho e tem ideia da importância desse nome para a música popular brasileira?
Nesta semana, o compositor, escritor, poeta e produtor musical carioca completa 91 anos e a Novabrasil relembra o quanto o seu trabalho e atuação ajudaram a construir a história da MPB.
A importância de Hermínio Bello de Carvalho para a MPB
Hermínio Bello de Carvalho iniciou sua carreira profissional em 1951, como repórter e colunista de discos da revista “Rádio-entrevista”, e – mais tarde – atuou como colaborador das revistas “O Cruzeiro” “Leitura” e “Revista da Música Popular”.
Em 1958, começou a trabalhar também em rádio, produzindo centenas de programas para a Rádio MEC, como “Violão de ontem e de hoje”, “Retratos musicais” e “Concertos para a Juventude”.
Como diretor-roteirista de shows, Hermínio Bello de Carvalho assinou o antológico espetáculo musical “Rosa de Ouro”, em 1965, sendo um dos responsáveis por fazer o mundo conhecer o talento imenso de Clementina de Jesus e tornando-a a estrela do musical, dando início a uma carreira de sucesso.
Estreado em 1965, o musical contava com Aracy Cortes, além de outros veteranos e iniciantes que constituíram o núcleo posterior de resistência do samba, de Paulinho da Viola e Elton Medeiros a Nelson Sargento e Jair do Cavaquinho, além do violonista Turíbio Santos.
Saiba tudo sobre a relação de Hermínio Bello de Carvalho e Clementina de Jesus no Arquivo MPB especial sobre a sambista:
Outro espetáculo importantíssimo para a MPB dirigido por Hermínio Bello de Carvalho foi “Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e o Época de Ouro”, em1968, além dos musicais:
- “É a Maior” (1970), com a cantora Marlene e em parceria com Fauzi Arap (coautor e diretor do show)
- “Festa Brasil” (na Europa, Estados Unidos e Canadá)
- “Face à Faca” (1974), com Simone
- “Te pego pela palavra” (1975), também com Marlene
- “Caymmi em Concerto” (1985)
- “Chico Buarque de Mangueira” (1998)
Em 1966, Hermínio escreveu – junto com o compositor Cacaso – a ópera popular “João Amor e Maria”, encenada no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, com direção geral de Kleber Santos e Nelson Xavier, direção musical de Maurício Tapajós e elenco integrado por nomes como Betty Faria, José Wilker, Cecil Thiré e o quarteto vocal MPB-4.
Na década de 1970, atuou como colaborador do jornal “Pasquim” e produziu vários programas para aTVE, com artistas como Elizeth Cardoso, Dorival Caymmi,Cartola, Aracy de Almeida, Nelson Cavaquinho eClementina de Jesus.
Hermínio Bello de Carvalho também participou do projeto “Seis e Meia”, em 1976, que serviu de modelo para o famoso “Projeto Pixinguinha”, realizado pelaFunarte em 1977 visando a formação de novas plateias, por meio de ingressos subsidiados aos espectadores de baixa renda.
Também pela Funarte, implementou o “Projeto Lúcio Rangel” de monografias, com o intuito de ampliar a então pequena bibliografia sobre música brasileira, com 30 títulos editados, e outros projetos de pesquisa e documentação pautados por políticas de ocupação de espaços e de formação de novos recursos humanos na área da produção musical, com o propósito de registro, memória e recuperação de acervos.
O aniversariante do dia sugeriu, ainda, a criação das Salas Funarte, uma das quais recebeu o nome do compositor Sidney Miller e idealizou o Centro de Memória de Mangueira, depois implementado pela Fundação Roberto Marinho como “Memória em Verde e Rosa”.
Na área fonográfica, assinou a produção musical de vários discos, como:
- Gente da Antiga – Com Pixinguinha,João da Baiana e Clementina de Jesus
- Elizeth Sobe o Morro
- Mangueira: samba de terreiro e outros sambas
- E outros álbuns de Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Simone, Elizeth Cardoso, Elza Soares, entre outros
Como escritor e poeta, Hermínio Bello publicou – além de livros de poesia – títulos sobre a música brasileira, entre os quais:
- Mudando de Conversa (Editora Martins Fontes, 1986)
- O Canto do Pajé: Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira Editora Espaço e Tempo, 1988)
- Sessão Passatempo (Ed. Relume Dumará, 1995)
Hermínio tem parceiros ilustres em composições importantíssimas para a MPB, como, por exemplo:
- Alvorada (com Cartola e Carlos Cachaça)
- Rosa de Ouro (com Elton Medeiros e Paulinho da Viola)
- Pressentimento (com Elton Medeiros)
- Timoneiro (com Paulinho da Viola)
- Sei lá Mangueira (com Paulinho da Viola)
- Mas quem disse que eu te esqueço (com Dona Ivone Lara)
- Chão de esmeraldas (com Chico Buarque)
- Fala Baixinho (com Pixinguinha)
- Isso é que é viver (com Pixinguinha)
- Isso não se faz (com Pixinguinha)
- Cicatriz (com Zé Keti)
- Valha-me Deus (com Baden Powell)
- Retrós e Linhas (com Martinho da Vila)
- Cobras e Lagartos (com Sueli Costa)
Além disso, colocou músicas de alguns compositores brasileiros após a morte dos compositores, como é o caso de “Noites Cariocas” e “Doce de Côco” (Jacob do Bandolim), “Estrado do Sertão” (João Pernambuco) e “Senhora Rainha” (Villa-Lobos).
Em 2015 a gravadora Biscoito Fino lançou a coletânea “Isso que é Viver” para comemorar os 80 anos de Hermínio Bello de Carvalho.
Em 2023, o artista lançou o álbum“Cataventos”, peloSelo Sesc, com 15 faixas: dez músicas inéditas, três regravações e dois poemas recitados por Fernanda Montenegro. O trabalho foi dedicado a Cartola, Clementina de Jesus, Mário de Andrade e Pixinguinha e teve a participação de nomes como Alaíde Costa, Áurea Martins, Ayrton Montarroyos, Joyce Moreno, Maria Bethânia e Paulinho da Viola.
No ano de 2025, em homenagem aos seus 90 anos, criou o espetáculo “Hermínio Bello de Carvalho 90 anos”, de música e poesia, com trechos da obra literária do poeta-letrista, assim como parcerias musicais importantes.



