O cargo de senador não é para qualquer um. Para chegar ao Senado, é preciso ter apoio popular e dos caciques que manobram os partidos políticos. Estes, por sua vez, giram em torno de seus fundadores ou personagens mais influentes. Afinal, os senadores representam os estados que formam a Federação brasileira, em que pese o poder estar confinado na capital da República.
A Constituição em vigor é generosa, prevê três senadores por estado com dois suplentes cada um. Até mesmo a capital do país tem a mesma representação, confinada apenas a uma cidade. É quase uma cidade do estado que ostenta garbosamente o título de Distrito Federal. Nem mesmo a Constituição dos Estados Unidos chega a tanto. Lá são dois senadores por estado, e a capital não tem nenhum. E também não há suplentes. Que pobreza!!!
O Senado tem sido o local ideal para se aposentar e assistir aos embates políticos do alto de sua importância na democracia brasileira. Alguns chefes do Executivo federal e estadual se arriscam a uma eleição com o capital político que amealharam durante o período em que tiveram a máquina estatal em suas mãos.
O mandato é de oito anos e isso habilita o senador, depois de quatro anos, a se candidatar a governador ou a presidente da República. Se perder, volta ao ninho senatorial e passa a trabalhar pela sua reeleição. Se conseguir, junta 16 anos de participação política, com salários garantidos e muito pouco trabalho.
Os políticos mais experientes miram uma vaga senatorial, só partem para a Câmara ou Assembleia Legislativa se perceberem que não têm apoio popular, nem quem banque sua campanha pelo estado. Um jogo arriscado e difícil, a não ser que ele seja um líder reconhecido.
A Constituição garante e o ex-caudilho não deixa por menos. Lança-se candidato a senador por um estado e deputado federal por vários outros. Depois de tantos anos no poder o seu nome é conhecido em todo o Brasil e ele se intitula o pai dos pobres. Reivindica a paternidade da legislação que protege os trabalhadores dos vorazes tubarões do empresariado.
Há um saudosismo entre os que escaparam da ditadura que liderou por quinze anos. A Constituição de 1946 em vigor no Brasil é fruto da volta à democracia e a derrota das ideologias de extrema direita, como o fascismo e o nazismo. Não importa se o candidato foi simpático ao governo de Mussolini na Itália.
O que importa é a sua popularidade. Getúlio Vargas é eleito senador pelo Rio Grande do Sul nas primeiras eleições democráticas depois que a sua ditadura foi derrubada pelos militares em 1945. Mas o seu sucesso eleitoral não para aí. Ainda de acordo com a Carta Magna, como gostam os adeptos do juridiquês, ele é eleito deputado federal em seis estados e pelo Distrito Federal do Rio de Janeiro.
Vargas pode escolher diante de um leque de oportunidades. Contudo, não se anima em debater e se defender dos excessos que cometeu no Congresso Nacional. Torna-se um senador gaúcho que não aparece no Palácio Monroe. Espera a eleição de 1950. Será que vai se eleger presidente???



