O presidente quer o artilheiro na seleção brasileira de futebol. O técnico recusa e diz que ele não está em condições de jogar pela Copa do Mundo. O treinador tem personalidade e não o assusta bater de frente com o chefe da nação. O que vale na opinião dele, além da qualidade técnica, é a boa forma física do jogador, e o craque que o chefe da nação quer não está em boa forma. Sua performance é maior no noticiário esportivo do que nos jogos de seu time de origem.
O craque sabe como provocar repórteres e jornalistas esportivos, ávidos de conseguir uma declaração que possa alimentar uma polêmica com ou sem fundamento. O treinador só tem uma alternativa: renunciar ao posto na seleção e voltar para casa. Mas não é fácil abrir mão de uma oportunidade de se tornar campeão mundial de futebol. Como se pode esperar, isso também divide meio a meio a opinião dos fanáticos pelo chamado esporte bretão.
Os cronistas esportivos também são arrolados na polêmica do convoca ou não convoca, vai ou não vai disputar o campeonato mundial. Os políticos se envolvem na discussão e pressionam o órgão que dirige o futebol no Brasil. É preciso reconquistar a fama de terra de futebol, pátria em chuteiras, ninguém bate o escrete de ouro, e vai por aí. Todos querem tirar algum proveito da polêmica. Os políticos que apoiam o governo falam como se a seleção fosse o cabo eleitoral mais eficiente com que podem contar. O governo quer popularidade e se apoia na expectativa da seleção se tornar novamente campeã mundial de futebol. Resta à oposição ficar calada. Quem pode se arriscar a falar contra a emoção popular que identifica o futebol com o hino nacional e a bandeira que prega ordem e progresso?
Finalmente o craque chega ao Rio de Janeiro, convocado pelo presidente da República. O treinador João Saldanha renuncia ao cargo. Ele já estava na corda bamba uma vez que é
ligado aos partidos de esquerda que fazem oposição ao regime ditatorial. O presidente Garrastazu Médici escolhe o jogador Zagallo como treinador da seleção. Imediatamente, o craque Dadá Maravilha é integrado ao grupo e pode conviver com Pelé, Garrincha, Gerson, Vavá, Rivelino e outros ídolos do futebol brasileiro. O Dadá ocupa um lugar entre os reservas e não tem oportunidade de participar da melhor e mais importante seleção brasileira de futebol.
O Brasil volta do México com o tricampeonato em 1970 e isso é explorado tanto pelo governo federal como pela Confederação Brasileira de Futebol. Mas Dadá entrou para a história com pelo menos três declarações: “não me venha com a problemática que eu dou a solucionática”; “pra pegar Dadá na corrida, só se for de táxi”; “somente três coisas pairam no ar: o beija-flor, o helicóptero e Dadá!!!



