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Heródoto Barbeiro: “Reputação ilibada”

Ou por cursar Direito ou pela difusão na mídia, a maioria da população sabe que ministro do Supremo Tribunal Federal deve ter reputação ilibada. E profundo conhecimento jurídico.

À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta, dizem os críticos da magistratura. Assim, um ministro não pode se envolver em escândalos de qualquer natureza e virar manchete nos veículos de comunicação. Todos eles sabem disso e fogem dos jornalistas como um vampiro de uma réstia de alho.

Porém, há situações em que a exposição na mídia é inevitável, especialmente quando envolvem fatos passados de sua biografia, coisa que já esqueceu, mas que, por qualquer motivo, fútil ou não, voltam ao noticiário. Tornam-se estrelas dos jornais na televisão, no rádio, e em outras plataformas. Os vazamentos de fatos são inevitáveis, especialmente se um processo em curso no Tribunal envolve a participação de muitos atores. É inevitável.

As versões, muitas vezes, são mais fortes do que os fatos. E há várias sobre o mesmo acontecimento. Com isso formam-se correntes de opinião pública com grupos antagônicos que debatem no calor da emoção. O radicalismo pode atingir a conduta pessoal do ministro e não suas decisões no Tribunal. Um deles está em dúvida se deve ou não pôr em risco sua carreira no mais alto posto do Poder Judiciário e se envolver no julgamento de um escritor acusado de propagar pornografia.

Trocar a toga por um livro repudiado pelos setores mais conservadores da sociedade. Nunca na história do Judiciário as portas de um Tribunal ficaram tão escancaradas como atualmente. O povo não sabe de cor o nome dos jogadores da seleção nacional de futebol, mas sabe detalhes das argumentações e lances da vida íntima do promotor e do advogado de defesa.

O julgamento que busca punir o autor de um livro, considerado por uns como pornográfico e por outros uma obra de arte, enche as salas e corredores do tribunal. Câmaras de vídeo são proibidas no plenário do julgamento, com o que dezenas de jornalistas se atulham em uma pequena sala do prédio. A acusação tem provas robustas contra o autor, que a defesa garante que já morreu e que o que está sendo julgado não é o livro, é a liberdade de expressão garantida pela Constituição do país.

A impressão geral, na medida em que o julgamento avança, é que a causa está perdida e os ultraconservadores vão poder comemorar. E confirmar que uma obra pornográfica é capaz de incitar jovens à violência, inclusive ao estupro. No último instante, o senador concorda em depor.

Ele é cotado para a Suprema Corte. O senador Bainbridge confessa que é o verdadeiro autor do livro Os Sete Minutos, sob o pseudônimo de J J Jadway e convence os jurados a considerar o livro uma obra de arte. Vitória da primeira emenda. Bainbridge liga para o presidente da República e pede para não mais indicar o seu nome para o Supremo Tribunal Federal.* Baseado no livro de Irwing Wallace, Os Sete Minuto

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