A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro teve como grandes protagonistas a Imperatriz Leopoldinense e a Estação Primeira de Mangueira. As duas escolas se destacaram na avenida com apresentações marcadas por enredos de homenagem e por narrativas que exaltaram as raízes afro-brasileiras, emocionando o público e valorizando a ancestralidade e a cultura negra.
A rainha de Ramos, escola da zona norte carioca, homenageou o cantor Ney Matogrosso com o enredo “Camaleônico”.
Na concentração da esccola, o artista conversou com a Novabrasil “Eu nem sonhava que um dia eu poderia viver isso aqui. Te confesso que a única coisa que me incomoda um pouco é ficar falando de mim”
E no fim do desfile Ney pontou em uma nova conversa com a nossa equipe “Eu fiquei muito feliz com o resultado, é muita gente envolvida é muito trabalho envolvido né, ai quando você vê que as pessoas recebem, é muito bom.”
Um lobisomem gigante e ágil, com cerca de 20 metros de altura, roubou a cena e despertou a curiosidade do público. O carro alegórico teve como inspiração a canção O Vira, grande sucesso da década de 1970. A escultura foi confeccionada com fibra produzida a partir de 300 quilos de sisal cultivado na Bahia, unindo impacto visual e valorização de materiais nacionais.
Na comissão de frente, a escola também surpreendeu ao apostar em efeitos de ilusionismo, criando clones do cantor Ney Matogrosso para representar diferentes momentos de sua trajetória artística.
Com fantasias e alegorias em cores vibrantes, a Imperatriz Leopoldinense ainda investiu no uso marcante de penas, elemento característico de muitos figurinos que ajudaram a consolidar a identidade visual do artista homenageado.
O carnavalesco responsável, Leandro Vieira pontuou em conversa com a Novabrasil, que o desfile foi uma festa.
“Foi uma festa, né? Acho que é isso, uma festa. Uma festa que eu me dei e de lambuja a Imperatriz se divertiu”
Estação Primeira de Mangueira
O segundo destaque da noite, sem dúvidas foi a verde a rosa. Com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”.
Mestre Sacaca foi um dos maiores símbolos dos saberes afro-indígenas no Amapá e completaria 100 anos em 2026. Reconhecido pelo vasto conhecimento sobre ervas, raízes e seivas amazônicas — utilizadas no tratamento de doenças e no cuidado comunitário — ganhou o apelido de “Doutor da Floresta”, tornando-se referência de sabedoria tradicional na região.

Na comissão de frente, onças que brilhavam no escuro simbolizavam os povos originários e as forças ancestrais. Em um ritual de reverência à natureza, os integrantes evocavam o xamã Babalaô, que surgia em sua forma encantada, representado como o próprio Mestre Sacaca.
Serpenteando simbolicamente pelos rios Rio Oiapoque e Rio Jari, a Estação Primeira de Mangueira parecia flutuar pela Marquês de Sapucaí. A rainha de bateria, Evelyn Bastos, levou à avenida o cachimbo do Preto Velho, enquanto os tambores promoviam um diálogo entre o samba e o marabaixo, ritmo tradicional amapaense.
O desfile alcançou um dos momentos mais emocionantes com a entrada de uma imponente escultura de Mestre Sacaca, que levantou a Sapucaí e foi aplaudida de pé, inclusive por sua viúva e seu filho, presentes na homenagem.
Acadêmicos de Niterói e Portela
A estreante no grupo especial, a Acadêmicos de Niterói desenvolveu um enredo que percorreu a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância no Nordeste, a mudança com a família para São Paulo e o trabalho como torneiro mecânico, até a atuação como líder sindical e a chegada à Presidência da República.

Na comissão de frente, o público viu uma encenação inspirada na rampa do Palácio do Planalto, em referência à mais recente cerimônia de posse de Lula, marcada pela presença de representantes da sociedade civil. A apresentação também trouxe atores e bailarinos caracterizados como o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, compondo um retrato simbólico de diferentes momentos da política recente do país.
Já a Portela, maior de campeã do carnaval carioca foi a terceira agremiação a cruzar a Marquês de Sapucaí, já na madrugada de segunda-feira (16), apresentando o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará. A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
O desfile exaltou a cultura afro-gaúcha e reverenciou Príncipe Custódio, personagem histórico cultuado por seguidores de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul estado que concentra o maior percentual de adeptos da umbanda e do candomblé no país.

Na comissão de frente, a escola apresentou representações dos orixás, com destaque para Exu Bará. Em um momento inovador na Sapucaí, um componente atravessou a Avenida em pé sobre um drone. Em seguida, o tripé cenográfico se abriu e revelou outro integrante, que, usando máscara e montado em um superdrone iluminado, decolou e sobrevoou os bailarinos, criando um dos efeitos mais impactantes da apresentação.


