A infecção urinária está entre as queixas mais frequentes no consultório ginecológico, sobretudo em mulheres em idade reprodutiva e após a menopausa. Na maioria das vezes, o quadro é pontual e melhora com tratamento. Mas, quando vira rotina, merece atenção: “Considera-se infecção urinária de repetição quando a paciente apresenta três ou mais episódios em um período de 12 meses”, afirma a ginecologista Ana Horovitz.
Além do desconforto físico, o problema pode afetar a vida diária e o bem-estar emocional. “É uma situação que interfere no bem-estar, na rotina e até na saúde emocional”, diz a médica.
Por que algumas mulheres têm crises repetidas
A maior vulnerabilidade feminina tem uma explicação anatômica: “A proximidade da uretra com a região vaginal e anal favorece a entrada de bactérias”. Porém, nos casos recorrentes, o motivo pode ir além.
Segundo a ginecologista, alterações hormonais são um fator importante, especialmente depois da menopausa. “Alterações hormonais, especialmente após a menopausa, reduzem a lubrificação e modificam o pH vaginal, facilitando a proliferação bacteriana”, explica.
Também podem estar envolvidos problemas menos lembrados, como “cálculos renais, malformações do trato urinário ou esvaziamento incompleto da bexiga”, que aumentam o risco de novas infecções.
Outro ponto de atenção é a automedicação. A médica alerta que essa prática, ainda comum, “pode atrapalhar o diagnóstico, mascarar sintomas e causar resistência bacteriana, tornando os tratamentos futuros mais difíceis”.
Hábitos simples que ajudam a evitar novas infecções
A prevenção, reforça a especialista, costuma trazer bons resultados e pode começar com medidas do dia a dia. “Manter boa hidratação ao longo do dia ajuda a ‘lavar’ as vias urinárias e evita a estagnação da urina, ambiente ideal para a proliferação de bactérias”, orienta.
Outras atitudes também podem reduzir o risco: “Urinar sempre que sentir vontade – e logo após as relações sexuais – reduz a permanência de micro-organismos na uretra.” A higiene íntima deve ser cuidadosa, mas sem excessos. “Deve ser feita sem exageros, usando produtos suaves para não agredir a mucosa vaginal”, diz Horovitz.
- · Manter boa hidratação ao longo do dia
- · Urinar sempre que sentir vontade
- · Urinar após as relações sexuais
- · Evitar exageros na higiene íntima e usar produtos suaves
Em algumas mulheres, essas mudanças já trazem melhora importante. “Para algumas pacientes, mudanças comportamentais já são suficientes para diminuir significativamente o número de episódios”, afirma a médica.
Quando isso não basta, o tratamento pode precisar ser ajustado caso a caso. “O ginecologista pode recomendar estratégias adicionais, como probióticos específicos, terapia hormonal local em mulheres pós-menopausadas, avaliação para uso de antibióticos de forma controlada ou investigação mais profunda das possíveis causas”, explica. “Cada caso exige uma abordagem individualizada, respeitando o histórico clínico e as necessidades da paciente.”

Quando procurar ajuda e por que acompanhar de perto
As infecções de repetição podem levar muitas mulheres a mudar a rotina por medo de uma nova crise. “Muitas mulheres passam a evitar relações sexuais, viagens ou exercícios por medo de uma nova crise”, relata a ginecologista. Por isso, o acompanhamento regular é decisivo: “Acompanhamento regular é fundamental para devolver qualidade de vida e segurança.”
A orientação, segundo ela, é não tratar a repetição como algo normal. “O mais importante é não normalizar episódios repetidos e buscar ajuda assim que o padrão se repete.” Com investigação adequada e prevenção personalizada, a tendência é de controle: “Com orientação profissional e cuidados consistentes, a maioria das pacientes consegue controlar as recorrências.”



