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Israel barra ajuda humanitária dos Médicos Sem Fronteiras em Gaza

Três meses depois do anúncio de cessar-fogo em Gaza, uma medida de Israel vai interromper a atuação de ONGs que prestam atendimento médico aos palestinos vítimas da guerra, enquanto os ataques continuam no território.

Em Gaza, os 12 hospitais que restaram funcionando estão no limite. Faltam insumos, energia e profissionais.

Desde o início da guerra, em outubro de 2023, o acesso à ajuda humanitária tem sido limitado por restrições do governo de Israel — e a situação tende a piorar.

Na virada do ano, o governo de Benjamin Netanyahu suspendeu o registro de 37 organizações de ajuda humanitária e passou a exigir maior controle sobre dados sensíveis dos profissionais.

A ONG Médicos Sem Fronteiras, que atua na Palestina desde 1980, é uma delas.

Médicos precisam sair de Gaza neste mês

O registro da organização está inválido desde o primeiro dia do ano, e as operações vão se encerrar ainda este mês, após novas exigências do governo israelense.

Quem explica é a presidente do Conselho dos Médicos Sem Fronteiras Brasil, Renata Santos:

Uma das exigências fere diretamente o direito internacional e os princípios humanitários, porque o governo de Israel exige uma lista de todos os profissionais palestinos que atuam com Médicos Sem Fronteiras.

Hoje, só em Gaza, nós temos cerca de 1.080 colegas palestinos. Estamos falando de um contexto beligerante, em que 15 colegas da organização foram mortos pelas forças israelenses, há perseguição e detenção arbitrária de profissionais de saúde.

Esse tipo de solicitação, nesse contexto, nos deixa muito preocupados. Por isso, nós não cumprimos essa exigência: não sabemos como essas informações seriam utilizadas, além de ferirem nossos princípios como empregador e os princípios humanitários que são centrais para nós.

Com as novas exigências, 25 organizações foram removidas, e apenas 23 receberam licença para atuar no território.

Antes de outubro de 2023, eram mais de 100 organizações em atuação na Palestina. Atualmente, apenas a ONU, equipes locais do Crescente Vermelho Palestino e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha continuam no território — e já tiveram que transferir suas sedes por causa de ataques de Israel.

A representante dos Médicos Sem Fronteiras detalha as principais necessidades dos palestinos:

As necessidades são muitas e estão por toda parte. Há pessoas sem onde morar com segurança. Pacientes que precisam de cirurgias de trauma — procedimentos altamente especializados e complexos —, amputações e tratamentos de reabilitação que hoje não é possível oferecer dentro de Gaza.

Encontramos situações em que as pessoas precisam, de forma urgente e desesperada, de tratamento especializado e não têm acesso. Há uma fila de milhares de pessoas aguardando transferência, e hoje isso não é possível.

No ano passado, os Médicos Sem Fronteiras trataram 100 mil traumas, realizaram mais de 22 mil cirurgias e fizeram 880 mil consultas.

A entidade também entregou 100 milhões de litros de água limpa aos palestinos.

Palestinos ficam sem consultas e cirurgias

Sem a organização no território, os moradores ficam sem cuidados cirúrgicos, clínicas, terapias e até atendimento em saúde mental — essencial diante dos traumas da guerra —, enquanto falta o básico: água, abrigo e energia.

Além da guerra, os palestinos também enfrentam os impactos das mudanças climáticas.

Com o excesso de chuvas, falta água potável, e nem as tendas humanitárias protegem dos alagamentos e do frio.

Moradores de Gaza relatam as dificuldades, em um dos abrigos apoiados pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que coordena e financia reparos na estação de bombeamento de água em Khan Younis.

O que diz Israel

Em nota, o Ministério dos Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo de Israel afirma que a decisão de bloquear a atuação dos Médicos Sem Fronteiras ocorreu após o que chamou de violação substancial dos procedimentos de registro.

O órgão responsável pela autorização das ONGs diz haver falhas na entrega de listas de funcionários que poderiam estar envolvidos com terrorismo.

Já a ONG Médicos Sem Fronteiras reafirma que permanece aberta ao diálogo para garantir o atendimento mínimo e básico de saúde — um direito humanitário e universal — aos palestinos.

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