“Por que ser jornalista no Brasil se tornou tão perigoso?” A partir de um episódio no início da carreira, em que sofreu na pele os efeitos da hostilidade, João Paulo Saconi se debruçou sobre um problema coletivo: a violência crescente contra a imprensa e os impactos que isso causa à liberdade de expressão. “Vocês da imprensa” (Máquina de Livros) é um livro que traz dados de uma pesquisa inédita, feita com 203 profissionais de todas as regiões do país, que destaca como o exercício do jornalismo vem sendo sufocado por ataques, ameaças, linchamentos virtuais e tentativas de silenciamento.
“O livro não se limita a estatísticas. O principal componente é humano, com histórias de jornalistas que morreram ou foram agredidos. Ouvi profissionais bem-sucedidos que, mesmo assim, deixaram de circular nas ruas ou cogitaram se mudar para o exterior com medo do que poderia acontecer aqui com eles e suas famílias”, explica o autor.

Em “Vocês da imprensa”, Saconi destaca episódios emblemáticos que envolveram Vera Magalhães, Patrícia Campos Mello, Luiz Fara Monteiro, Renato Alves, Raquel Landim e Natuza Nery. Ele narra também a história de Santiago Andrade, cinegrafista da Band morto em 2013, após as Jornadas de Junho. Esse período, aliás, marca o crescimento dos ataques a jornalistas, que se intensificaram entre as eleições 2014 e 2024, incluindo o impeachment de Dilma Rousseff e os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
“A hostilidade impacta a maneira como nós, jornalistas, pensamos as pautas e participamos de coberturas, assim como os cuidados que precisamos ter com redes sociais”, explica Saconi, que batizou o livro com uma expressão frequentemente usada por fontes, entrevistados e o próprio público para se referir a jornalistas, como se fossem uma parcela à parte do país.




